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Ciberespaço, esta “terra sem lei”

A conclusão – equivocada, diga-se, de que o Brasil foi dividido ao meio nestas eleições presidenciais fez surgir diversas manifestações racistas e xenófobas na Internet – esse território sem lei onde, muitas vezes, pessoas protegidas pelo anonimato disparam ilações, dossiês e correntes carregadas de preconceito despejadas em caixas de correio eletrônico alheias.

A estudante de Direito Mayara Petruso abriu mão desse anonimato e pode vir a pagar por isso. Suas declarações nas redes sociais Twitter e Facebook serviram para alguma coisa, ironicamente. Fez acender a luz de alerta, trazendo ao debate a necessidade da regulação da internet, onde atos de racismo, xenofobia, homofobia, além de outros tipos de má conduta devem ser condenados e seus responsáveis punidos exemplarmente.

Urge acabar com o anonimato no ciberespaço, responsabilizando todo usuário pelo conteúdo publicado em sites, blogues e fóruns de discussão. O sistema de rastreamento de endereços IP (Internet Protocol) precisa ser aperfeiçoado e as autoridades competentes devem fechar o cerco a portais como o Google – que reluta em fornecer os dados fundamentais para investigações feitas pelas delegacias especializadas em crimes virtuais, que vêm investigando usuários responsáveis por comunidades que cometem os mais diversos crimes de preconceito em sua rede social, o Orkut. Não se pode dar mais espaço a estes fora-da-lei.
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Em tempo: Este é um esboço de artigo escrito em avaliação acadêmica, aplicada às vésperas da eleição que alçou a petista Dilma Rousseff à Presidência da República. O tema – crimes de preconceito na internet – foi sugerido pelo professor Eduardo Rocha.

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Marcel Duchamp é Corinthiano*

pós um frio e chuvoso feriado de 7 de Setembro, confesso ter pulado da cama somente após muita lamentação. Pé na rua, parti rumo ao ponto de ônibus, onde costumo pegar o trólebus até a faculdade.

Incrivelmente, o coletivo chegou logo, além de praticamente vazio. Tomei-o e, vencida a catraca, fui até o fundo do veículo, sentando-me na última fileira de bancos, onde deparei-me com um sujeito bem vestido numa casaca marrom e sapatos que brilhavam como diamante.

Cumprimentei-o. Tive como resposta a indiferença. Desconcertado sentei-me, olhando de soslaio em direção a ele – que parecia agitado, irrequieto. Balbuciava palavras desconexas e tinha à mão uma daquelas canetas tipo ‘pincel atômico’.

Ponto final da linha, portas abertas: ele soltou um palavrão impublicável – que fez acordar o cobrador – e saltou do ônibus, praguejando.

Antes de descer do coletivo, vi que o sujeito havia rabiscado uma frase na parede sob a janela do banco onde estava sentado:

“Marcel Duchamp é corinthiano”

Não sei dizer qual associação o tresloucado quis fazer entre o artista francês e o SCCP. Acredito, entretanto, que tal atitude deixaria envaidecido o criador dos famosos e intrigantes ready-mades¹. Ou será que não?

*Este texto inaugura a categoria “Pílulas do Cotidiano” onde, circunstancialmente, postarei pequenos textos literários sobre gente e situações do dia-a-dia.
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¹Principal estratégia artística de Duchamp, que utilizava objetos encontrados já prontos, às vezes acrescentando detalhes, outras vezes atribuindo-lhes títulos arbitrários.

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100 anos em cinco minutos

Corinthians completou 100 anos de uma vida de glórias, conquistas mas, principalmente, de muita paixão e devoção de sua Fiel Torcida. Sim, eu também faço parte deste bando de loucos – ou, se preferirem, faço parte da República Popular do Corinthians, com certidão de nascimento e RG personalizados.

Esse tipo de estratégia de marketing é interessante no que diz respeito ao aumento de arrecadação de receitas, fundamental para a manutenção de um time competitivo, além de outras despesas com os esportes amadores e a parte social. Mas, ajuda a arrebanhar novos torcedores? Tenho minhas dúvidas.

Mas, falando em paixão, é inevitável buscar na memória os feitos, as conquistas e até as mais dolorosas derrotas para tentar entender esse sentimento único, que é o Corinthianismo. Desde os tempos dos jogos no campo do Lenheiro, no Bom Retiro, até os dias de hoje, é notável a trajetória desse time que ousou ingressar na liga de futebol formada pela elite paulistana – elite que disse que “O Clube não sobreviveria ao próximo inverno”.

Minha História

Em 1977, aos quatro anos de idade, tive a noção do que é o Corinthianismo.
Minha irmã Bel, na época com 13 anos, apareceu com um curativo enorme na cabeça, causado por uma queda do capô do Opala de um vizinho que, infelizmente, não me recordo o nome. Ela, como muitos outros alucinados Corinthianos, saiu em carreata pela cidade para comemorar o fim do jejum de 23 anos de títulos, graças ao pé de anjo, Basílio.

Eu não acompanhva muito o futebol e lembro que – vejam só! – eu tentei ser palmeirense (motivado pelo meu irmão Adriano, seis anos mais velho). Meu pai, Corinthiano, ficava muito pouco tempo em casa, por conta de viagens que fazia a serviço de uma grande construtora. Com isso, meu irmão tentava fazer com que eu virasse casaca. Lembro-me dele dizendo que a ‘Academia’ havia atropelado o Timão em ’74, calando o estádio naquela final do Paulista que culminou na saída do Rivellino. Eu tentei ser palmeirense por um único dia, mas recuei e disse ao meu irmão: “Não consigo. Eu gosto é do Corinthians, apesar da falta de títulos”.

Nos anos de 1982, 1983, lembro que jogávamos bola na quadra da escola, onde a maioria dos moleques torcia para o Timão. E cantávamos: “Domingo, eu vou lá no Morumbiiii, a Fiel vai explodiiiir…”. A Democracia Corinthiana dava as cartas no Parque São Jorge, mas a gente não tinha noção do que aquilo representava.

Quando fui ao estádio pela primeira vez, o Biro Biro já jogava pelo Corinthians. Foi quando eu percebi o que era a raça corinthiana, apesar de, hoje, saber que Zé Maria, Ruço, entre outros ídolos, já haviam dado o sangue em campo pelo time do Povo. O Corinthians se mostra grande justamente por essa particular característica: Faz sofrer o teu Povo Fiel, mas recompensa no campo de batalha, com vitórias épicas e consagradoras. O que o torcedor rival precisa entender é justamente isto: Para nós, Corinthianos, vitória por 1X0 é goleada.

Peguei-me pensando, nesta data especial, em dois momentos antagônicos na minha trajetória de torcedor Corinthiano. Uma derrota que marcou (foi a última vez que chorei por causa de uma derrota) foi no Campeonato Paulista de 1984. Serginho Chulapa fez 1X0, tirando a tricampeonato de nossas mãos. Eu não chorei nas derrotas para nosso arquirrival Palmeiras nos jogos da Libertadores. O choque foi grande, mas o silêncio sepulcral que tomou conta do bar onde acompanhávamos as partidas tornou desnecessário a lágrima. Sobre, especificamente, esta partida, chego à conclusão de que NÓS santificamos o goleiro Marcos. Esta é a verdade, amigos. Tivesse pego um pênalti contra outro adversário e a história seria outra, certamente. Mas defender um pênalti que eliminaria o Corinthians da competição continental, alçou o goleiro Marcos ao Olimpo dos jardins suspensos da Água Branca. Isto é fato.

A vitória que ficará marcada para sempre em minha memória foi contra o Santos, também. Além deste clássico ter ficado marcado por inúmeras situações eletrizantes, foi o último no qual assisti junto de minha mãe. Ela não era nenhuma fanática, mas vibrou ao ver eu e meu pai abraçados, chorando de alegria, comemorando o gol marcado no último minuto pelo Ricardinho. Este jogo teve dois pênaltis desperdiçados pelos dois times. Pelo Santos, Rincón era o batedor oficial, mas deixou Dodô – que buscava a artilharia do campeonato – bater e mandar na trave. Pelo Corinthians, Marcelinho também mandou a bola na trave, em pênalti sofrido por Ewerthon. Ainda assim, mandamos 2X1 no time da baixada santista e chegamos à final do Paulista, enfretando o Botafogo de Ribeirão Preto. Na fila desde 1984, foi a vez do Santos chorar.

Se eu fosse fazer um levantamento das sensações experimentadas enquanto torcedor Corinthiano, certamente eu poderia desenvolver um verdadeiro compêndio. Nestes 100 anos completados hoje, tenho a plena certeza de que o Corinthians honrou sua história, sua gente. Os sapateiros, operários, os estivadores, os carroceiros, os descamisados que expulsaram os cheirosos do Parque da Luz, descansam sabedouros de que valeu a pena.

Aos pintores de casa Joaquim Ambrósio, Antônio Pereira e César Nunes, eu digo: Valeu a pena!

Ao sapateiro Rafael Perrone, eu digo: Valeu a pena!

Ao motorista Anselmo Correia, eu digo: Valeu a pena!

Ao fundidor Alexandre Magnani, eu digo: Valeu a pena!

Ao macarroneiro Salvador Lopomo, eu digo: Valeu a pena!

Ao trabalhador braçal João da Silva, eu digo: Valeu a pena!

Ao alfaiate Antônio Nunes, eu digo: Valeu a pena!

Histórias não faltam, entre lembranças e depoimentos de amigos que vivenciaram as alegrias e angústias de Ser Corinthiano. E assim será, para todo o sempre.

Até o FIM.

VIVA O CORINTHIANS!

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Mens sana in corpore sano

oltando pra casa depois de um dia de densa labuta ele ouviu, nas cadeiras imediatamente atrás da sua no ônibus onde viajava, dois senhores conversando sobre amenidades. As ruas esburacadas da zona norte de São Paulo não permitiam um exercício mais aprofundado de bisbilhotagem da conversa alheia, tal era o barulho ensurdecedor da carroceria chacoalhando. Mas conseguiu ouvir de um dos senhores, que levantara para descer no próximo ponto, a seguinte frase em tom professoral:

– É o que eu sempre digo, Dionisio. Mente sã, corpo são. Até amanhã, cuide-se!

Proferiu tal clichê e, ato contínuo, desceu do coletivo e adentrou uma farmácia num caminhar cambaleante, comum aos que alcançam a longevidade.

Tal frase e, principalmente, o ato de ver o velho senhor entrar numa drogaria, o fez lembrar de que havia marcado consulta a uma psiquiatra, numa tentativa de frear seus martírios internos. Seu humor voltara a ocilar, o sono sessara e um desânimo teimava em aparecer. Era preciso voltar à psicanálise.

A noite passou em passos vagarosos, o sono não veio. A melancolia, então, chegou e se instalou feito uma indesejada visitante. Numa tentativa de tomar as rédeas de sua mente, andou vacilante até o banheiro e vasculhou a gaveta do pequeno armário onde costumava guardar seus antidepressivos. Tudo que encontrou foram pílulas soltas, fracionadas, que descansavam no fundo do compartimento feito salva-vidas a espera de alguém para socorrer. Era impossível identificar que tipo de comprimidos aqueles farelos foram um dia, mas a esperança de um fugaz bem estar o fez raspar o fundo da gaveta e com aquela mistura de remédio, poeira e ácaros, arrematar um copo de água. Enquanto isso, uma testemunha incrédula assistia àquela cena patética. Era seu gato, que o fitava com uma mistura de curiosidade e desprezo. Foi um dos olhares mais longos que se tem notícia, certamente.

Passada a noite e com a certeza de que aquela mistura de comprimidos fracionados nada havia aliviado sua tensão, tomou uma ducha e partiu para o consultório onde havia marcado sua consulta. Não percebeu, por conta da noite mal dormida, que havia saído com duas horas de antecedência. Estranhou que a padaria em frente à sua casa ainda estava fechada e seguiu sua jornada em jejum, para tentar aliviar sua angústia o quanto antes. Chegou e encontrou a clínica fechada, deixando-o aturdido. Olhou para os dois lados da rua. Vazia. Virou-se novamente para a porta da clínica e decidiu sentar-se nos degraus da pequena escada que dava acesso ao estabelecimento médico. Ali, não demorou, caiu no sono.

O barulho da porta de aço da padaria do outro lado da rua não foi suficiente para acordá-lo. O português da panificadora olhou aquele sujeito sentado dormindo e, pensando se tratar de um bêbado sem forças para caminhar, levou um copo cheio de café e, dando um chacoalhão nada amistoso, falou:

– Toma esse café. Vais ficar melhor, filho. Toma e vá pra casa, sai dessa vida! Você parece ser um homem de bem, larga esse vício!

Nosso personagem ouviu, perplexo, aquele desconhecido falando. Não recusou o café, mas esperou o homem se virar e apontou-lhe o dedo médio. Neste ínterim, o carro da doutora encostou no meio fio e ela desceu do veículo, apressada, em direção à porta da clínica. Passou por ele feito um foguete, girou a chave apressadamente e adentrou, como se ninguém estivesse ali, deixando o sujeito sentindo-se um homem invisível. Bastante confuso, o pobre diabo também entrou na clínica abruptamente, chamando a atenção da médica, que se queixava enquanto depositava seu jaleco de tom branco-amarelado sobre um surrado safá da sala de espera.

– Ah, que bom que o senhor chegou cedo! Podemos, assim, adiantar a consulta, pois meu dia hoje vai ser muito corrido!

Nosso herói observou a pantomima da médica e chegou à conclusão de que seria melhor acabar logo com aquilo.

Demonstrando total desinteresse pela figura que atendia, a médica fez algumas poucas perguntas sobre o cotidiano do paciente, fazendo anotações em um pequeno bloco de notas. Ao final de parcos cinco minutos, deu por encerrada a consulta dizendo:

– Vamos aumentar a dosagem da sua medicação. Nada significativo. Volte no mês que vem para verificarmos a evolução de seu estado psíquico.
– Doutora, eu não consigo dormir durante a noite, mas o sono me domina durante o dia e…
– Vou receitar este outro remédio, pra você conseguir chegar em casa. Não hesite em me procurar, se achar necessário. Sabes que estou aqui para ajudar-te.

Neste momento, a veloz doutora carimbou violentamente a guia médica com seu carimbo padrão, assinou e entregou ao paciente – sem fitar-lhe os olhos – despedindo-se. Este, atônito, levantou e tomou o caminho da rua sem nada dizer.

Trinta e cinco dias após a consulta, a médica ligou para a casa do pobre diabo para saber por que ele não havia marcado a consulta de retorno. O telefone tocou, tocou, tocou. Ninguém atendeu. A campainha do velho telefone poderia ter seu volume multiplicado centenas de vezes e ainda assim seria insuficiente para fazer levantar o corpo inerte prostrado, havia dias, na velha cama…

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Dalton Trevisan versus Woofer

Dalton Trevisan em caricatura de Fernando Romeiro

Dalton Trevisan em caricatura de Fernando Romeiro

Quando eu li sobre essa brincadeira que inventaram para satirizar o Twitter, pensei logo em escrever um texto que atingisse os tais 1400 caracteres exigidos para poder publicá-lo no tal de Woofer. De cara lembrei do paranaense Dalton Trevisan, que deve suar frio só de imaginar ter seu nome e obra atrelados a uma ferramenta cibernética tão identificada com estrelismos. Ele é, definitivamente, avesso a esse padrão de exibicionismo. Discrição é sua palavra-chave. Para os “mudérnos”, ele faz o estilo low profile.

A professora Tânia Sandroni utilizou um trecho de um conto de Trevisan num exercício de concisão. Não me lembro qual, infelizmente. O que me fez tomar interesse pelo autor é que, no trecho citado – e que era longo! – não havia verbos. Achei fantástico! Logo após, exercitamos o tema, criando uma pequena história onde não deveria haver verbos – tudo bem, depois ela liberou o verbo apenas no particípio. A história deveria ser contada em, no mínimo, 15 linhas de uma folha de caderno universitário e deveria abordar o dia (da hora que acorda até quando volta à cama para dormir) de algum personagem.
Eu contei a história de um sujeito que vendia queijos numa barraca no vale do Anhangabaú e que teve suas mercadorias apreendidas pela GCM e a Vigilância Sanitária do município.

Mas, voltando ao assunto principal, escolhi falar alguma coisa sobre Dalton Trevisan justamente para prestar-lhe uma anti-homenagem, já que acho que ele deve torcer o nariz para todas essas baboseiras criadas quase que diuturnamente na Internet. Vamos ao texto:

***

Desafio fantástico! Exercício de verborragia, não há a menor dúvida. O que um sujeito como Dalton Trevisan, um dos mais concisos contistas brasileiros, diria aqui? Qual seria sua reação ao ser obrigado a deitar tantas palavras para poder ter o direito de divulgar suas ideias, suas enigmáticas ideias?

Bem, deveríamos antes de tudo convencer o citado autor a sair de sua vampiresca mania de anonimato. Sim, porque o curitibano é reconhecidamente tímido. Reconhecidamente avesso à autopromoção.

Não se pode julgá-lo, nem tampouco condená-lo por sua preferência ao estilo discreto de ser, apesar de parecer estranho num mundo onde o culto à celebridade se torna cada vez mais febrilmente insano. Veja você que Trevisan, bem ao seu estilo e sobretudo por sentir-se isolado dos meios intelectuais, concorreu e conquistou o primeiro lugar do I Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná, em 1968. Você conseguiria imaginar uma celebridade qualquer, com um mínimo de competência em qualquer atividade, ser premiada em um concurso e mandar alguém buscar o prêmio para “preservar” sua imagem? Ele quase o fez. Isto é inimaginável nos dias de hoje…

A verdade é que Dalton Trevisan foi inspirado pelos habitantes de Curitiba, mas criou personagens universais em tramas psicológicas dentro de uma linguagem concisa e popular, que valorizava as vicissitudes e os incidentes do cotidiano sofrido e angustiante desses melancólicos personagens.

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Rio de Janeiro olímpico

efinitivamente, sou um péssimo adivinhador. Das cidades que chegaram ao final da disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, eu apostava alto em Chicago. Mas, veja, eu acompanhei com certa distância esta disputa que, li em algum grande jornal, havia ganho ares de “braço-de-ferro político, principalmente entre os comitês de Chicago e Rio de Janeiro. Tóquio era a sede com maior dificuldade entre as competidoras, principalmente por conta de seu fuso horário, bastante desfavorável para o mercado europeu, mas principalmente para o norte-americano. Essa é a lógica pregada pelos veículos de comunicação – a problemática das transmissões dos Jogos.

Sobravam Rio, Chicago e Madri. Para quem acreditava que a figura do presidente americano Barack Obama pudesse fortalecer a candidatura de Chicago – que sofria resistência de muitos cidadãos da cidade – teve uma grande decepção. Obama chegou em cima da hora para discursar a favor da candidatura americana e deixou Copenhague logo após seu discurso, mostrando pouco comprometimento com a candidatura.

Já os latinos, mostraram muito maior entusiasmo e vontade de emplacar suas sedes para receberem os Jogos. O rei Juan Carlos da Espanha e o presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva estiveram sempre mais presentes e atuantes por suas respectivas candidaturas. O jornal inglês The Times, em seu site, comparou os discursos de Obama e Lula, dando ao brasileiro a vantagem pelo discurso mais emocional e cativante, colocando o ineditismo de uma Olimpíada no continente sulamericano como fator de extrema importância para a região, enquanto que Obama preferiu focar a questão dos EUA serem um país multiétnico e oferecerem segurança e garantias financeiras. Não foi suficiente para convencer os delegados do Comitê Olímpico Internacional. Chicago e Tóquio cairam foram da disputa, restando Rio e Madri.
Madri que era, ao lado de Tóquio, a que apresentava estrutura mais moderna e preparada para receber os Jogos. Também sucumbiu.

Ouvindo meu rádio na linha 3-Vermelha do Metrô, estação Belém, fui testemunha da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, superando todas as expectativas e tendo, em sua terceira tentativa, a oportunidade de dizer: “Sim, nós podemos!”.

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Revista MAIS dEFICIENTE: Oito anos de sucesso

Revista MAIS dEFICIENTE, Edição n° 8

Revista MAIS dEFICIENTE, Edição n° 8

Em clima de confraternização, os alunos da sala receberam a Edição n° 8 da revista “MAIS dEFICIENTE”, editada por nossa colega Samara Andressa Del Monte. Refrigerante, salgados, doces, mas, principalmente, uma lição de persistência e dedicação nos foram oferecidos no evento, na terça-feira, 29/9.

A revista traz informações importantes sobre novas tecnologias que buscam inserir na sociedade o indivíduo com necessidades especiais, além de informar – e cobrar – a ação das autoridades municipais, na questão da adequação urbana para estes cidadãos. Há, também, espaço para a divulgação de ações sociais, promovidas por pessoas que não esperam por providências de órgãos das esferas municipal, estadual e federal. Pessoas como o pai de Samara, Sr. Ubiratan Del Monte: “Sempre que eu via algum deficiente sendo carregado no colo, me aproximava e perguntava se não tinha cadeira de rodas. Se a resposta fosse “não”, eu perguntava se podia dar uma de presente. Em seguida, enviava a cadeira para ser entregue em domicílio”, disse ele em depoimento dado à revista.

Há oito anos editando a “MAIS dEFICIENTE”, Samara nos mostrou um video contando sua trajetória destemida e inquieta, inclusive com imagens dela praticando esportes radicais, como o parapente. Tinha também fotos desde sua infância, passando pela adolescência e chegando até os dias de hoje. Uma trajetória marcada pela vontade de aprender, com o perfil que todo estudante de Jornalismo deve ter.

Presente ao evento, o coordenador do curso de Jornalismo do campus, professor Marco Moretti, parabenizou Samara por sua garra e competência. E lançou: “Devo confessar que senti um pouco de inveja de você, Samara. Eu nunca voei de paraglider“. Mas, ao final da apresentação, ficou a certeza de que Samara busca voos ainda mais altos…

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