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As melhores de todos os tempos. Ou não

Pete Doherty, bad boy de butique.

Pete Doherty, bad boy de butique.

A revista britânica New Musical Express, através de seu site (NME), pioneira no Reino Unido em escalonar singles numa parada – e famosa por “dar uma forcinha” pra bandinhas como Strokes e Libertines a alcançar sucesso no mundo todo, com trabalho digno de uma boa assessoria de imprensa – veio com mais uma dessas bobagens que costuma lançar de época em época, do tipo “melhores de todos os tempos”.

Listas anteriores já concederam, por exemplo, o título de maior single da história à insossa Wonderwall do OASIS (ex melhor banda do Universo). Coisa de dar calafrios.

Desta vez – e até que lancem uma nova bobagem – fizeram uma lista com os 100 melhores videoclipes da história da música. Sobre este assunto, briga com a MTV pra ver quem comete mais heresias.

O vencedor, segundo a NME, foi o finado vida-loka-tô-nem-aí do folk rock Johnny Cash. Mister Cash nunca mostrou arrependimento sobre seus excessos – e o cara era loucão mesmo, hein? Pete Doherty é escoteiro perto do vovozão.

O engraçado dessa histório é que Cash foi eleito com o clipe de uma cover do Nine Inch Nails chamada “Hurt“, com cenas de sua carreira desde a fase do topetão dos anos 1950/60, mesclando imagens atuais, com sua voz cansada e melancólica, cheias de referências do tipo “eu poderia/deveria ter feito diferente”. Se a ideia era fazer uma justa homenagem a tão emblemática figura da música do século XX, escolheram a maneira errada. O clipe é chato, arrastado. Sinceramente, Johnny é maior do que isso, com minhas desculpas pelo clichê.

Neste link, a página com as 100 melhores, segundo o NME. Clica aí, veja e diga o que achou. Sinceramente, fiquei decepcionado por Tonight Tonight dos Smashing Pumpkins, com referências a George Méliès e aos irmãos Lumière, não constar nem entre as 20 do rankink. Em compensação, Everlong do Foo Fighters “representa”, num honroso 6º lugar.

Esperemos a próxima lista, com os novos “melhores de todos os tempos”. A Bilboard não vai deixar isso barato…

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Chico Buarque: Roda Viva

“…A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir…”

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá…

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá…

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá…

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá…

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.

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Tim Maia – Primavera

Vai Chuva!

Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Que eu quero estar junto a ti

Porque (é primavera)
Te amo (é primavera)
Te amo, meu amor

Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Meu amor…

Hoje o céu está tão lindo (vai chuva)
Hoje o céu está tão lindo (vai chuva)

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Alice In Chains – I Stay Away

Reflexão sobre escolhas e perdas…

Yeah, hey yeah
I want to travel south this year
won’t prevent safe passage here

Why you act crazy
not an act maybe
so close a lady
shifty eyes shade

Yeah, hey yeah
tears that soak a callous heart

Why you act frightened
I am enlightened
your weakness builds me
so someday you’ll see

I stay away!

Why you act crazy
not an act maybe
so close a lady
shifty eyes shade

I stay away!

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The Wake: Quero ser o New Order

Domingo passado, após assistir ao Canal Livre da Band, fui para o computador para checar a caixa de e-mail, ler as notícias da noite, enquanto ouvia um pouco de música. Sintonizei a estação Section 25 na LastFM e, após alguns minutos, começou a tocar uma música com uma sonoridade bem familiar. Pensei: “Não conheço esse som do New Order”. Fui olhar no identificador da rádio e tomei um susto: De fato, não era o New Order.

Era mais uma daquelas obscuras bandas apresentadas pela Factory Records, famosa por lançar lendárias bandas dos 80’s como o Joy Division, New Order, Happy Mondays, OMD, entre tantas outras. A Factory era proprietária, também, do lendário clube Haçienda, mas isso é outra história.

Não sou crítico musical, não sou conhecedor de tudo o que acontece ou aconteceu na “cena” (clichezão da área), então posso estar cometendo alguns erros, exageros, algumas “viagens”. Mas acho melhor assim, do que beber de fontes duvidosas do tipo Google, Wikipédia.

Mas, voltando à banda, o título do post diz tudo, amigos: Lembra demais o New Order, principalmente a predominância avassaladora do contra-baixo, ao estilo Peter Hook. Já os vocais, são um caso à parte: A sonoridade etérea (que a tchurminha chama shoegazer) lembra bastante bandas que surgiram quase 10 anos depois, como Chapterhouse, My Bloody Valentine e afins. Mas sem a distorção das guitarras destas mesmas bandas.

Outro ponto interessante – e que, talvez “absolva” os caras – é que, bebendo da fonte dos irmãos da Factory, o Wake também influenciou uma sonoridade musical de algumas bandas. E é neste ponto onde eu fico sujeito a receber pedradas dos sabichões musicais.

Ouvindo o álbum “Here Comes Everybody”, de 1985, lembrei-me de bandas tupiniquins como Gang 90, Sempre Livre, Violeta de Outono e – pasmem! – até a Legião Urbana dos primórdios. Evidentemente, os vocais destas bandas são bem distintos, mas a parte instrumental é muito parecida (exceto por algumas “excentricidades” cometidas por alguns produtores que teimavam em embutir teclados cafonérrimos e coros pegajosos).

Parece legítimo que bandas falando de coisas tão distintas, possam apresentar uma sonoridade tão próxima de quem o fez originalmente?

Penso que não. E o tempo se encarrega em colocar cada um nas distintas gavetas da relevância e do ostracismo.

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Comentário a respeito de Belchior

Belchior2
Com toda essa recente e maciça exposição na mídia sobre o “sumiço” de Belchior, lembrei-me de certo dia em minha infância, quando brincava no tapete da sala enquanto meus pais assistiam TV. Veja, isso se passou na longíqua década de 1980, tempo onde zapear pelos canais não era coisa simples e automática como o é hoje. Tínhamos um aparelho Telefunken e meus pais costumavam assistir àqueles programas de auditório tão comuns na década oitentista. Talvez, nesta ocasião, assistiam ao programa do Edson Bolinha Cury. Num certo momento, o apresentador chamou ao palco Belchior para cantar “Medo de Avião”. Achei o nome diferente e levantei minha cabeça para mirar a televisão, a fim de saber quem era o tal. Fiquei surpreso ao avistar aquele sujeito com um cabelo vasto e consistente e com aquele bigodão que lembrava o de Groucho Marx, mas acabei arrancando um sorriso do meu pai quando perguntei:
Pai, o Zenon também é cantor?
Talvez essa historieta arrancasse um sorriso do rapaz latino-americano. Talvez ele não seja Corinthiano… Mas Belchior reapareceu, cheio de projetos, álbum novo a ser lançado, novas histórias para cantar. Jogada de marketing? Pura desencanação? Fuga dos credores? Cada um que tire sua conclusão. De minha parte, fica a espera de sua volta para, quem sabe, ouví-lo cantar ao vivo “Coração Selvagem”, uma de minhas prediletas. Mas essa história do sumiço e reaparecimento do cantor baiano tem mais a ver com outro sucesso de sua autoria, a canção “A Palo Seco” que, como numa pista de suspense policial, diz:

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76

Eu ando um pouco descontente
Desesperadamente eu falo português (2x)

Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Mas por força do meu destino
Um tango argentino
Me cai bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76

Eu quero é que esse canto torto feito faca
Corte a carne de vocês (2x)

Belchior inspirou Belchior?
Ninguém, além dele, sabe.

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Tarda, mas não falha…

le aguardava o ônibus que o levaria ao centro de São Paulo, no Terminal de Ônibus Cachoeirinha e, por pura ironia dos Deuses, veio-lhe à cabeça lembranças daquela que um dia amou. Confuso, perguntou-se por que lembranças de tempo tão remoto o visitavam. Resposta fácil: Culpa de um vendedor de CDs piratas, daqueles musicais, daquele tipo de ambulante que carrega seu produto naqueles carrinhos improvisados, com uma grande caixa de som e um tocador de CD que geralmente é um daqueles modelos automotivos. Tocava Pais e Filhos, da Legião Urbana e irremediavelmente várias lembranças vieram à sua cabeça. Um pouco de saudade, um pouco de sentimento de culpa por achar que não havia demonstrado todo seu amor a ela o deixou atordoado. Mas não havia motivos para remorso. Ela havia colocado um ponto final na história após muitos meses de dedicação, amor, carinho a um rapaz que só queria dar uns beijos de vez em quando. Espera aí: Mas ele não a amava? Ele tem em seu coração a certeza tardia de que sim, a amava. Mas o amor juvenil, incompreensivelmente, muitas vezes é tratado com certo medo, principalmente nos homens. Medo de não ser correspondido, medo de fazer papel de idiota diante dos amigos que, dizem, acham esse papo de amor coisa de menina (mas choram sozinhos à noite, na cama, por nutrir o mesmo sentimento por alguma outra garota mas não o diz por conta de todos esses motivos juvenis). Onde ela está agora, depois de todos esses anos? Ele não sabe a resposta. Mas sabe que, com o perdão do clichê, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã…”

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