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Pensando a Previdência

Reforma da Previdência: Pra ontem! Charge: Gilmar

Deixada de lado em mais uma campanha eleitoral, a discussão sobre a reforma do sistema previdenciário brasileiro se mostra cada vez mais urgente. Nem mesmo as cenas de confrontos entre estudantes, sindicalistas e trabalhadores com a polícia francesa fizeram o tema ser lembrado pelos nossos políticos em campanha. Tais confrontos – diga-se, ocorreram no país com as regras mais brandas para se alcançar a aposentadoria plena na Europa, excetuando-se o lado leste do continente.

A proposta aprovada em segundo turno pelo Senado francês elevou a idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos. Parece pouco, para um país que perdeu a capacidade de renovar sua força trabalhadora – como toda a Europa, aliás.

No Brasil, os seguidos anos com déficit nas contas da Previdência não parecem sensibilizar sindicatos e trabalhadores. Tratar do assunto deve deixar de ser tabu num país que ainda conta com um número de aposentados bastante inferior aos trabalhadores que contribuem com a Previdência. A presidente eleita Dilma Rousseff, com maioria nas duas casas legislativas, tem a grande chance de promover essa reforma. Evitar o colapso da Previdência deve estar acima de interesses políticos e deve ser tratado como prioridade pelo novo governo. Um dos pontos fundamentais da discussão é a questão das aposentadorias dos funcionários públicos, que apresenta enorme disparidade para os trabalhadores da iniciativa privada. Senão, vejamos: com 938 mil segurados, a União teve, no primeiro semestre deste ano, um déficit de R$25 bilhões, um absurdo se comparado ao déficit de R$22,6 bilhões no INSS, que cuida da aposentadoria de 27,5 milhões de aposentados.

A unificação das aposentadorias, a regulamentação da emenda Constitucional que propôs, em 2003, a adoção de um teto único para os trabalhadores da iniciativa privada e dos servidores públicos, além de uma campanha para inserir trabalhadores informais na arrecadação, deve ser colocada na pauta de discussões do Congresso Nacional e do Senado. O Brasil deve aproveitar o chamado bônus demográfico – quando uma parcela maior de adultos trabalha e sustenta frações menores de idosos e crianças – que deverá ter seu ocaso em 2050, quando o país terá, segundo o IBGE, 64 milhões de pessoas acima de 60 anos. Parece natural que um país cujos cidadãos atingem taxas de longevidade cada vez mais “européias”, adotem medidas que, apesar de impopulares no presente, promovam um futuro melhor para seus aposentados.

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Pauta perigosa

Marina Silva: E o Estado laico?

Com quase 20 milhões de votos no 1º turno dessa eleição presidencial, Marina Silva trouxe à superfície das discussões uma pauta perigosa: a questão da religião num Estado dito laico.

Questões como o aborto e as pequisas com células tronco não podem ser debatidas sob um véu religioso. Mas estas questões, infelizmente, serão relegadas neste momento. Os candidatos que disputam o 2º turno já perceberam e começaram a seguir o script direitinho: dão graças a Deus até quando espirram, além de abastecer suas argumentações políticas com um viés conservador, evitando falar em questões polêmicas.

Acha que o debate trará à mesa de discussão questões como união civil entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo? Pode esquecer. Este 2º turno deverá ter um tom ainda mais bélico, com trocas de ataques, boatos rolando soltos pelo território livre que é a Internet além, é claro, de um comportamento “carola” por ambos os candidatos.

Marina fugiu destas questões no 1º turno e, estranhamente, não foi cobrada com veemência sobre isso pela sociedade. Agora, com o insípido discurso de preservação do meio ambiente e sua bem treinada maneira de falar, falar e não dizer muita coisa, se torna a “noiva”, cortejada pelos finalistas do pleito presidencial.

Assusta, também, saber que seus aliados internacionais não constituem moral para falar sobre preservação do planeta. Destruíram o quanto puderam, possuem as mais altas taxas de emissão de gases e costumam considerar o Brasil com um simples zelador de um quintal que não nos pertence. “A Amazônia é de todos” – costuma dizer Al Gore. Enquanto isso, a British Petroleum acaba com qualquer rastro de vida marinha na costa dos EUA. Vai pagar uma multa de US$ 21 bi e vida que segue. Ou não…

Se a floresta Amazônica é a última chance de preservarmos nossa existência, então é bom a gente começar a juntar nossos trecos porque os “síndicos” do planeta podem bater à porta a qualquer momento.

Sobre seus 15 dias de “reflexão” para dizer quem apoiará no 2º turno: É tudo jogo de cena. O Partido Verde tem histórico de apoio ao PSDB – o que é legítimo – e parece certo que Marina não peitará a orientação do partido. Mas é bom que pense bem, para não vir a ser um Roberto Freire ou uma Soninha Francine, ambos do PPS. Estes trocaram uma história de luta pelo socialismo por papéis de coadjuvantes no cenário político brasileiro.

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The Wake: Quero ser o New Order

Domingo passado, após assistir ao Canal Livre da Band, fui para o computador para checar a caixa de e-mail, ler as notícias da noite, enquanto ouvia um pouco de música. Sintonizei a estação Section 25 na LastFM e, após alguns minutos, começou a tocar uma música com uma sonoridade bem familiar. Pensei: “Não conheço esse som do New Order”. Fui olhar no identificador da rádio e tomei um susto: De fato, não era o New Order.

Era mais uma daquelas obscuras bandas apresentadas pela Factory Records, famosa por lançar lendárias bandas dos 80’s como o Joy Division, New Order, Happy Mondays, OMD, entre tantas outras. A Factory era proprietária, também, do lendário clube Haçienda, mas isso é outra história.

Não sou crítico musical, não sou conhecedor de tudo o que acontece ou aconteceu na “cena” (clichezão da área), então posso estar cometendo alguns erros, exageros, algumas “viagens”. Mas acho melhor assim, do que beber de fontes duvidosas do tipo Google, Wikipédia.

Mas, voltando à banda, o título do post diz tudo, amigos: Lembra demais o New Order, principalmente a predominância avassaladora do contra-baixo, ao estilo Peter Hook. Já os vocais, são um caso à parte: A sonoridade etérea (que a tchurminha chama shoegazer) lembra bastante bandas que surgiram quase 10 anos depois, como Chapterhouse, My Bloody Valentine e afins. Mas sem a distorção das guitarras destas mesmas bandas.

Outro ponto interessante – e que, talvez “absolva” os caras – é que, bebendo da fonte dos irmãos da Factory, o Wake também influenciou uma sonoridade musical de algumas bandas. E é neste ponto onde eu fico sujeito a receber pedradas dos sabichões musicais.

Ouvindo o álbum “Here Comes Everybody”, de 1985, lembrei-me de bandas tupiniquins como Gang 90, Sempre Livre, Violeta de Outono e – pasmem! – até a Legião Urbana dos primórdios. Evidentemente, os vocais destas bandas são bem distintos, mas a parte instrumental é muito parecida (exceto por algumas “excentricidades” cometidas por alguns produtores que teimavam em embutir teclados cafonérrimos e coros pegajosos).

Parece legítimo que bandas falando de coisas tão distintas, possam apresentar uma sonoridade tão próxima de quem o fez originalmente?

Penso que não. E o tempo se encarrega em colocar cada um nas distintas gavetas da relevância e do ostracismo.

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Convergências

penas dois dias após entregar o trabalho de Atividades Complementares ao professor Moretti, tive contato com uma interessantíssima tecnologia de difusão de informação. E não se trata de algo novo, já que surgiu no Japão em 2004. Falo do QR-Code, uma espécie de código de barras parecido, mas muito mais sofisticado, com aqueles encontrados em produtos nos supermercados. O sistema é, teoricamente, simples. Você acessa um site da internet que possibilite gerar um código com o conteúdo de um blog, por exemplo. Depois, com um celular dotado de programa específico, lê esse código que transforma números binários em texto similar ao lido na tela de um desktop.

O jornal A Tarde, da Bahia, foi o primeiro veículo de comunicação brasileiro a disponibilizar esse tipo de ferramenta para complementar o conteúdo de matérias publicadas em seu jornal impresso. O leitor, portando uma webcam, captura a imagem de um código impresso em alguma matéria e tem, a partir daí, acesso a conteúdo suplementar no site do periódico. É um hyperlink melhorado!

O Estadão também passou a disponibilizar conteúdo através dessa ferramenta, a partir de códigos encontrados em matérias de seu suplemento de informática, o caderno Link.

O circunstaciALL já tem o seu, na coluna lateral do blogue. Você pode fotografar o QR-Code e ler o conteúdo em seu celular. Clicando no mesmo código, será levado ao endereço http://circunstanciall.mofuse.mobi, que tem conteúdo para ser visualizado em celulares com acesso à rede Wi-fi. *

Um blog muito interessante, que linko a partir de hoje, tem direcionado seus estudos nessa direção. É o blog Jornalismo Móvel, do jornalista Fernando Firmino da Silva. A mobilidade terá papel fundamental no jornalismo de um futuro não muito distante e, mais do que um celular, o repórter deverá possuir um aparelho com estas tecnologias, se não quiser ser “furado”. A conferir.

*O Mofuse encerrou o serviço gratuito em 2010. Conseqüentemente, retiramos o link.

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Rio de Janeiro olímpico

efinitivamente, sou um péssimo adivinhador. Das cidades que chegaram ao final da disputa para sediar as Olimpíadas de 2016, eu apostava alto em Chicago. Mas, veja, eu acompanhei com certa distância esta disputa que, li em algum grande jornal, havia ganho ares de “braço-de-ferro político, principalmente entre os comitês de Chicago e Rio de Janeiro. Tóquio era a sede com maior dificuldade entre as competidoras, principalmente por conta de seu fuso horário, bastante desfavorável para o mercado europeu, mas principalmente para o norte-americano. Essa é a lógica pregada pelos veículos de comunicação – a problemática das transmissões dos Jogos.

Sobravam Rio, Chicago e Madri. Para quem acreditava que a figura do presidente americano Barack Obama pudesse fortalecer a candidatura de Chicago – que sofria resistência de muitos cidadãos da cidade – teve uma grande decepção. Obama chegou em cima da hora para discursar a favor da candidatura americana e deixou Copenhague logo após seu discurso, mostrando pouco comprometimento com a candidatura.

Já os latinos, mostraram muito maior entusiasmo e vontade de emplacar suas sedes para receberem os Jogos. O rei Juan Carlos da Espanha e o presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva estiveram sempre mais presentes e atuantes por suas respectivas candidaturas. O jornal inglês The Times, em seu site, comparou os discursos de Obama e Lula, dando ao brasileiro a vantagem pelo discurso mais emocional e cativante, colocando o ineditismo de uma Olimpíada no continente sulamericano como fator de extrema importância para a região, enquanto que Obama preferiu focar a questão dos EUA serem um país multiétnico e oferecerem segurança e garantias financeiras. Não foi suficiente para convencer os delegados do Comitê Olímpico Internacional. Chicago e Tóquio cairam foram da disputa, restando Rio e Madri.
Madri que era, ao lado de Tóquio, a que apresentava estrutura mais moderna e preparada para receber os Jogos. Também sucumbiu.

Ouvindo meu rádio na linha 3-Vermelha do Metrô, estação Belém, fui testemunha da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, superando todas as expectativas e tendo, em sua terceira tentativa, a oportunidade de dizer: “Sim, nós podemos!”.

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Macroblogging. Falta inventar mais alguma coisa?

woofer-smallA ferramenta de macroblogging Woofer trouxe uma divertida alternativa aos parcos 140 caracteres que o Twitter disponibiliza para seus usuários postarem suas ideias. É verdade que os idealizadores da ferramenta extrapolaram um pouco. São exigidos MÍNIMOS 1.400 caracteres para que seus usuários possam publicar seus posts. Para quem reclamava da concisão exigida pelo Twitter, deverá exercitar sua prolixidade nesta nova ferramenta.
A novidade promete pegar no mundo todo, já que a adesão cresceu muito após a divulgação nos site da CNN, no portal Terra da Espanha, no The Wall Street Journal, dentre outros canais de informação em toda Europa e EUA. No Brasil, uma postagem no UOL Tablog fez milhares de brasileiros congestionarem o serviço. Acha que foram longe demais desta vez? Calma, os mesmos malucos disponibilizam também o serviço de “nanoblogging” Squeaker, para postagens com no máximo 14 caracteres! Tem louco pra tudo…

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Museu Guggenheim de Nova Iorque celebra 50 anos de fundação

Museu Guggenheim de Nova Iorque

Museu Guggenheim de Nova Iorque

A cidade de Nova Iorque celebra, este ano, os 50 anos da fundação do Guggenheim Museum. Fundado em 21 de Outubro de 1959, o exuberante museu desenhado pelo arquiteto americano Frank Lloyd Wright, que recebe permanentemente exposições de arte impressionista, pós impressionista, moderna e contemporânea, foi submetido a três longos anos de reformas, a fim de estar em perfeito estado para os festejos. Como parte das comemorações, a Solomon R. Guggenheim Foundation organizou uma exposição com mais de 100 trabalhos do pintor abstrato russo Vasily Kandinsky, que fica em cartaz até 13 de Janeiro. Haverá, também, um encontro intitulado “Arquitetura como Potencial” entre o diretor da Fundação Guggenheim, Richard Armstrong e o arquiteto Frank Gehry, responsável pelo projeto e construção da filial Guggenheim da cidade de Bilbao, Espanha. O encontro tratará sobre a história da arquitetura como um gerador de mudança comportamental da sociedade e sobre a influência dos fatores político-econômicos na arquitetura atual, principalmente após o estouro da crise econômica mundial. Mais informações no site da Fundação .

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