Arquivo da tag: cotidiano

Expressões de novos tempos

Captura de Tela 2016-04-07 às 23.17.59 cópia

Linha 1 Azul

Entusiasmo. É nesse estado de espírito que inicio o dia após algumas horas de sono. O corpo cansado tem sido vencido pelos pensamentos positivos, pela vontade do novo.

A viagem de metrô – do Tucuruvi à estação São Joaquim – tem servido como um exercício de observação do ser humano. Fica claro, por enquanto, que encerro as jornadas bastante curioso com cada expressão facial colhida naquele espaço público.

Há alguns meses diminuí a carga de trabalho diário por conta da saída de um dos meus dois empregos. A sensação é boa: mais horas de sono e um tempo maior para investir em mim. Aperfeiçoar o segundo idioma e a aposta em nova etapa acadêmica têm me dado um enorme bem estar.

Voltar a fotografar também faz parte dessa nova jornada, apesar de não vislumbrar a Fotografia com viés comercial (não num primeiro momento). Penso em produzir algo autoral, através da observação, do estudo. E observar o mundo ao meu redor faz parte dessa busca por uma (nova?) identidade de expressão artística. As palavras, sinceramente, me fogem. Anseio pela volta da vontade de escrever. Por enquanto, deixo apenas esse pequeno relato de uma nova fase. Sigamos em frente.

 

Deixe um comentário

Arquivado em circunstanciALL

Malu e a estrela d’alva

Fenômento visto da Zona Leste de S.Paulo (Foto: Cauê Fabiano/G1)

Fenômento visto da Zona Leste de São Paulo (Foto: Cauê Fabiano/G1)

Avistamos o fenômeno quando voltávamos do Habibs, aonde fomos comprar um potão de sorvete – doce ao qual Malu nunca deu bola, mas que tomou gosto e que, se deixar, é capaz de comer duas canecas cheias do tipo napolitano. Ela viu primeiro que eu e achou graça. Claro, era uma novidade pra ela.

– Papai, olha que engraçado. Mas por que aquela estrela do lado da Lua? Por que só tem um pedaço da Lua ali?

Eu me embaralhei todo pra tentar explicar. Mandei uma justificativa qualquer – a primeira que veio à cabeça. Sabe como é, né? Pai tem que saber tudo…rs

– Aquela é a Lua minguante crescente e aquela estrela ao lado dela é a estrela d’alva.

Ela riu do nome – e quis saber porque ela se chamava assim.

– É que fizeram uma homenagem a uma senhora que se chamava Dalva – inventei. Eu quase acertei:

globo.com: Fenômeno astronômico permite ver planeta Vênus próximo da Lua. Imagens mostram planeta e Lua Crescente no Brasil e na Jordânia.
Vênus também é conhecido como estrela d’Alva.

Chegando em casa, fui dar uma conferida no pai-dos-burros (Google) e li nos principais portais sobre o raro fenômeno. Fiquei gratificado por ter presenciado esse momento da Natureza ao lado de minha pequena. O engraçado é que se não tivéssemos saído à rua para uma banal tarefa, só teríamos visto o ocorrido pelos “milhões” de posts dos amigos no Facebook. Não teria a menor graça.

No dia seguinte, fiz questão de corrigir a informação sobre a dona Dalva com a Malu:

– Filha, aquela “estrela” ao lado da Lua não é uma estrela. É o planeta Vênus e o que vimos ontem vai demorar muitos anos pra acontecer de novo.

Malu parece não ter dado muita bola pra isso. Terminou de calçar o tênis e subiu na perua da escola. Eu fiquei ali, orgulhoso, meio patético, por ter vivenciado esse momento raro com ela.

Deixe um comentário

Arquivado em circunstanciALL

Retorno

return to sender

Antes de esboçar qualquer movimento de retomada do blogue, é preciso tratar dessa longa ausência deste espaço. Mas serei breve.

Amigos, foram dois anos que se arrastaram, com o trabalho e os estudos tomando meu tempo quase que integralmente. E é preciso dizer, também, que a necessidade de escolher caminhos nos leva a um dilema: alguma coisa sempre deve ser deixada pra trás. E assim se deu.

O que vem daqui pra frente eu não tenho controle, não consigo prospectar. A novidade assusta, mas dá ânimo também.

De positivo, deixo pra trás a perigosa “zona de conforto”, coisa abominável que nos traz preguiça, falta de metas, conformismo. Desvencilhei-me da mediocridade e seguirei em busca contínua de conhecimento, de vida.

O blogue seguirá com minhas visitas circunstanciais. E espero que possamos nos encontrar para um café. Primeiro aqui, depois em qualquer balcão honesto por aí. A interatividade deve servir para nos aproximar, ser ferramenta de auxílio de futuras reuniões. Aqui, deixo meu convite. Vambora?

Deixe um comentário

Arquivado em circunstanciALL

Operação Delegada erra o foco ao desprezar o “social”

*Atualizado em 29/5/2011 às 17h25

Devemos louvar o trabalho conjunto entre a Prefeitura, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana na fiscalização de comércio ambulante nas ruas do centro de São Paulo. Devemos? Incomoda-me pensar que este tipo de blitze atinja, na sua maioria, a base da pirâmide deste tipo de contravenção.

Os vendedores de comida de rua, por exemplo, são pessoas humildes com poucos anos de estudo, que não têm nem tiveram a oportunidade de galgar degraus numa sociedade cada vez mais competitiva e, conseqüentemente, mais cruel com os “perdedores”, com os “moradores do andar de baixo” – a base da pirâmide, como mencionei acima.

A chamada Operação Delegada varreu do Centro os carrinhos de cachorro quente, os pamonheiros e outros ambulantes, com a justificativa de cuidar da saúde pública, além de diminuir as ocorrências de crimes na região. Números são ventilados em diversos órgãos oficiais e na imprensa, demonstrando a queda no número de roubos e furtos.

O Centro Velho parece estar, realmente, mais seguro. Basta andar pelo Vale do Anhangabaú para ver que o policiamento está presente. Mas está presente, também, uma legião de miseráveis que perambulam por ali, ignorados pelo poder público e pelas pessoas “de bem” que circulam pela região.

Enquanto esse cenário persistir, não podemos aprovar completamente esta operação. O Poder Público deve ir além de ações policialescas, propondo soluções para uma reorganização social, oferecendo uma oportunidade destes trabalhadores serem inseridos no mercado formal de trabalho. Cursos de reciclagem profissional, alfabetização e outras pequenas ações sociais ajudariam bastante.

Não podemos esquecer outra questão fundamental para os que passam apressados pelas ruas do Centro: Sem os dogueiros e afins, como fica a alimentação popular? As autoridades não parecem estar preocupadas com esta questão.

________________________________________________________
Artigo produzido a pedido da Professora Denise Casatti

2 Comentários

Arquivado em circunstanciALL

Desencontros

maram-se com toda a força do mundo. Eram jovens, cheios de vida, cheios de planos – e todos os clichês que costumam deitar sobre a juventude.
Juraram ser para sempre. Mas não aconteceu – como quase sempre costuma ser. Pudera, tinham apenas 16 anos e uma revolução interna em cada um. As coisas mudariam, a forma de pensar mudaria, os sonhos mudariam. O tempo passou e os caminhos dividiram-se numa dessas bifurcações que a vida costuma nos apresentar.

Ele viajava de pé no Metrô quase vazio do horário pós almoço. Ela, sentada num banco próximo a ele, lia uma revista. Estava diferente. Sua pele ainda brilhava, seus olhos ainda brilhavam. Mas uma expressão mais serena, adquirida com a maturidade, iluminava seu rosto.

Ao aviso de chegada à estação São Joaquim, ela levantou-se e deixou o trem, sem perceber a presença de seu observador. Este, sentou-se no banco antes ocupado por ela. Teria sido a última vez que sentiu o calor daquela mulher que ficara para trás. Teria sido a última vez que seus caminhos se cruzaram.

2 Comentários

Arquivado em circunstanciALL

Vida segue

ram dois grandes amigos, conforme disse a musa. Viajavam pela Linha 2/Verde. Iam da estação Sacomã, num vagão quase vazio, rumo à estação Paraíso. Conversavam animadamente sobre amenidades e observaram, pelo reflexo da janela, que atrás de seus bancos estavam duas belas mulheres que conversavam também. Era uma conversa mais tensa, talvez. Semblantes fechados, graves. Isso parece não ter sensibilizado os dois amigos, que seguiram conversando e, vez ou outra, buscando um olhar das vizinhas de viagem. Lá fora, chuva forte. Puderam percebê-la ao passarem pela estação Imigrantes, que fica na superfície. Maldisseram a sorte de não estarem portando seus guarda-chuvas, restando-lhes a torcida pelo fim do aguaceiro.

Na estação Ana Rosa, as garotas desceram rapidamente, quase que simultaneamente ao toque de fechamento das portas. De tão compenetradas em seus diálogos, abandonaram esqueceram seus guarda-chuvas no banco onde viajavam. Os rapazes rapidamente pegaram o que seria a salvação da noite, a chance de chegarem secos em suas respectivas casas. Ou, a chance de praticarem uma boa ação antes do fim do dia.

O caminho da plataforma até a SSO, passando por uma quase infinita escada rolante, foi feito em silêncio. Um aguardava a reação do outro para saber o que fazer. Ao chegar em frente à sala envidraçada da estação, estancaram. O funcionário do Metrô os observou com certa curiosidade e, percebendo que precisaria tomar a iniciativa para chegar a algum desfecho, perguntou:

– Posso ajudar?

Os dois gaguejaram, entreolharam-se com indisfarçável culpa e concluíram:

– Encontramos estes guarda-chuvas, esquecidos no trem onde viajávamos. Viemos entregá-los.

– Obrigado! Vou encaminhar para o Achados e Perdidos da estação Sé. O Metrô de São Paulo agradece a ajuda de vocês – disse em tom cerimonial.

Os dois, calados, foram embora. A chuva, a esta altura, já havia cessado.

Vida segue…

Deixe um comentário

Arquivado em circunstanciALL

Ciberespaço, esta “terra sem lei”

A conclusão – equivocada, diga-se, de que o Brasil foi dividido ao meio nestas eleições presidenciais fez surgir diversas manifestações racistas e xenófobas na Internet – esse território sem lei onde, muitas vezes, pessoas protegidas pelo anonimato disparam ilações, dossiês e correntes carregadas de preconceito despejadas em caixas de correio eletrônico alheias.

A estudante de Direito Mayara Petruso abriu mão desse anonimato e pode vir a pagar por isso. Suas declarações nas redes sociais Twitter e Facebook serviram para alguma coisa, ironicamente. Fez acender a luz de alerta, trazendo ao debate a necessidade da regulação da internet, onde atos de racismo, xenofobia, homofobia, além de outros tipos de má conduta devem ser condenados e seus responsáveis punidos exemplarmente.

Urge acabar com o anonimato no ciberespaço, responsabilizando todo usuário pelo conteúdo publicado em sites, blogues e fóruns de discussão. O sistema de rastreamento de endereços IP (Internet Protocol) precisa ser aperfeiçoado e as autoridades competentes devem fechar o cerco a portais como o Google – que reluta em fornecer os dados fundamentais para investigações feitas pelas delegacias especializadas em crimes virtuais, que vêm investigando usuários responsáveis por comunidades que cometem os mais diversos crimes de preconceito em sua rede social, o Orkut. Não se pode dar mais espaço a estes fora-da-lei.
________________________________________________________
Em tempo: Este é um esboço de artigo escrito em avaliação acadêmica, aplicada às vésperas da eleição que alçou a petista Dilma Rousseff à Presidência da República. O tema – crimes de preconceito na internet – foi sugerido pelo professor Eduardo Rocha.

Deixe um comentário

Arquivado em circunstanciALL