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Ciberespaço, esta “terra sem lei”

A conclusão – equivocada, diga-se, de que o Brasil foi dividido ao meio nestas eleições presidenciais fez surgir diversas manifestações racistas e xenófobas na Internet – esse território sem lei onde, muitas vezes, pessoas protegidas pelo anonimato disparam ilações, dossiês e correntes carregadas de preconceito despejadas em caixas de correio eletrônico alheias.

A estudante de Direito Mayara Petruso abriu mão desse anonimato e pode vir a pagar por isso. Suas declarações nas redes sociais Twitter e Facebook serviram para alguma coisa, ironicamente. Fez acender a luz de alerta, trazendo ao debate a necessidade da regulação da internet, onde atos de racismo, xenofobia, homofobia, além de outros tipos de má conduta devem ser condenados e seus responsáveis punidos exemplarmente.

Urge acabar com o anonimato no ciberespaço, responsabilizando todo usuário pelo conteúdo publicado em sites, blogues e fóruns de discussão. O sistema de rastreamento de endereços IP (Internet Protocol) precisa ser aperfeiçoado e as autoridades competentes devem fechar o cerco a portais como o Google – que reluta em fornecer os dados fundamentais para investigações feitas pelas delegacias especializadas em crimes virtuais, que vêm investigando usuários responsáveis por comunidades que cometem os mais diversos crimes de preconceito em sua rede social, o Orkut. Não se pode dar mais espaço a estes fora-da-lei.
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Em tempo: Este é um esboço de artigo escrito em avaliação acadêmica, aplicada às vésperas da eleição que alçou a petista Dilma Rousseff à Presidência da República. O tema – crimes de preconceito na internet – foi sugerido pelo professor Eduardo Rocha.

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O vovô popstar da Internet

Plínio: Ascensão meteórica no Twitter

Até então apagado na corrida ao Planalto, o octogenário Plínio de Arruda Sampaio alcançou status de estrela nas redes sociais da Internet. O que ele fez para conseguir isso?Simples: No debate realizado na TV Bandeirantes – com uma atuação recheada de humor, comentários ácidos e altas doses de sarcasmo, Plínio arrebatou corações e mentes no ciberespaço, chegando ao topo do Trending Topics do Twitter. A partir daí, seu perfil @pliniodearruda arrebanhou uma legião de seguidores, saltando de pouco mais de 2.500 para 39.500 followers, que o consideram representante do “stand-up politic” (referência ao termo stand-up comedy). Não demorou para Plínio receber a hashtag #PlinioArrudaFacts (veja texto abaixo).No Orkut, quinze comunidades enaltecem os feitos de Plínio. A maior destas comunidades conta com 3.870 seguidores simpáticos às suas propostas e suas ideias – algumas delas polêmicas, como a defesa da legalização do aborto, além da liberação do consumo da maconha como forma de combater o tráfico. A conta, diz Plínio, é simples: “A droga serve ao Capitalismo. O problema pode ser resolvido se a produção for colocada sob o controle do Estado”.

O blogue ouviu alguns integrantes de comunidades a favor de Plínio no Orkut, que explicaram o porquê da admiração pelo “vovô” popstar.

“”Apesar da idade, Plínio tem a cabeça mais jovem de todos! Coerente nas ideias, nas propostas, no seu projeto e consigo mesmo”, disse Clovis Pacheco Neto, 17 anos, morador de São Bernardo do Campo-SP. Denise Viccari, 16 anos, que mora em Santana, zona norte de São Paulo, defende as propostas socialistas de Plínio: “Sua trajetória de luta a favor dos direitos da mulher, dos trabalhadores rurais e, sobretudo, sua luta a favor da reforma agrária me chamaram a atenção. “É uma pena que esteja fora do páreo nessas eleições”.

Os índices de intenção de voto em Plínio de Arruda Sampaio estão aquém de sua meteórica popularidade. Com menos de 1%, Plínio parte para o ataque – sabedor de que não tem nada a perder. Quem são suas principais vítimas? São os três principais candidatos à vaga de Luiz Inácio Lula da Silva: A petista Dilma Rousseff, o tucano José Serra e a “verde” Marina Silva.

Marina Silva, inclusive, foi acusada de “fugir” de questões polêmicas. Mais de uma vez, Plínio chamou a senadora de “ecocapitalista”. Num embate com José Serra (PSDB) Plínio o questionou sobre o péssimo rendimento das escolas paulistas, que foram governadas pelo candidato tucano até o fim de março deste ano. Plínio defendeu a valorização do professor e disse que, se eleito, irá destinar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do país para financiar medidas na área da educação.

O candidato do PSOL foi ainda mais duro com a candidata petista Dilma Rousseff. Usando uma frase já dita anteriormente por Serra, afirmou que Dilma, ao dizer que não sabia de irregularidades cometidas por funcionários da Casa Civil ainda durante a sua gestão, seria “incompetente ou conivente”.

Após se atrapalhar com o tempo e perder a linha de raciocínio algumas vezes, pediu votos para seus colegas de partido, exaltou sua trajetória política e prometeu “continuar lutando”.

Um “exército” formado por fiéis seguidores nas diversas comunidades de diferentes redes sociais parecem ser o “combustível” necessário para essa caminhada. “Longa vida ao nosso rei!”, diz um anônimo numa dessas comunidades.

#PlinioArrudaFacts

Com a ascensão meteórica no Trendig Topics do Twitter, Plínio foi “homenageado” com a hashtag #PlinioArrudaFacts. Eis algumas das postagens:

“Eu debati com Plinio Arruda antes de ser crucificado.” – Jesus sobre Plínio

“Plinio Arruda é defensor dos animais. Poucos se lembram de sua luta contra a extinção dos dinossauros”

“A primeira pessoa que investiu na industria naval foi Plinio Arruda, apoiando a arca de Noé!”

“A primeira propaganda política de Plínio Arruda foi uma faixa amarrada no 14-Bis”

“Plínio Arruda inspirou Karl Marx.”

“O primeiro debate do qual Plínio Arruda participou, contou com as presenças de Sócrates e Platão”

Em tempo: Este texto – produzido visando a uma publicação direcionada ao público jovem entre 14 e 19 anos – faz parte de exercício da disciplina “Jornalismo Político e Econômico”, ministrada pela professora Denise Casatti.

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Da Gazette ao Twitter: Onde vamos parar?

uando recebi, por meio de aviso do professor Alexandre Sacomano, o tema a ser tratado para um trabalho de Atividades Complementares, fiquei com uma dúvida: As “Novas Tecnologias da Informação” seriam ligadas à área tecnológica da questão? Seria alguma coisa especificamente ligada à Tecnologia? Ou eu deveria discorrer sobre como estavam sendo usadas as novas ferramentas de difusão de informação, cultura, conhecimento? Resolvi seguir a segunda opção, que me parece mais de acordo com a nossa futura profissão.
Para falar sobre a maneira como as pessoas estão divulgando suas ideias, suas opiniões e, sobretudo, o conhecimento, foi preciso estabelecer um ponto de partida. Não poderia tomar espaço neste trabalho, falando desde os primórdios da comunicação – especialmente sobre a Imprensa – pois seria uma fuga do assunto pretendido.
Mas vamos lembrar, brevemente, onde foi dado o primeiro passo da difusão da informação. Neste caso, falo do criador da imprensa francesa, Théophraste Renaudot, que publicou o jornal Gazette, um semanário produzido de maneira artesanal que não visava lucro e que publicava atualidades e, também, notícias espetaculares como desastres, epidemias, etc. Estamos falando de algo ocorrido em 1631, muitos anos antes da Revolução Francesa e do Iluminismo, que trouxeram ideias que permeiam o Jornalismo como conhecemos hoje:

1. Autonomia da Razão
2. Desconfiança em relação à Autoridade
3. Crítica à Política
4. Crença no progresso material e moral da humanidade

Mas isto é História. O que mudou desde a Gazette até os dias de hoje?
A História do Jornalismo e da Imprensa passou por diversas eras, até chegar aos tempos atuais. Não deixando de lado o Rádio – que foi fundamental para a difusão de Informação desde 1896, quando o cientista italiano Guglielmo Marconi fundou a primeira companhia de rádio em Londres, Inglaterra – a Televisão foi um marco na caminhada da tecnologia da Informação até os dias de hoje. Mas como surgiu a Televisão?
Para não me alongar no assunto, faço uma pequena linha de sucessão de tecnologias da Imagem: Surge a Fotografia, dela surge a fotografia em movimento – o Cinema. A Televisão herdou algumas características do Cinema, mas sua proximidade com o presente, sua capacidade de estar em mais lugares e com maior velocidade de transmissão de informação, a tornou um meio de comunicação muito poderoso e com a possibilidade de cumprir um papel social muito maior do que o Cinema. Para citar um único caso no Brasil do poder da TV na vida social e política da população, posso citar o comício das Diretas do dia 25 de Janeiro de 1984, considerado o start para as manifestações em favor do restabelecimento da Democracia no país. 300 mil pessoas, segundo estimativa dos organizadores, estiveram na Praça da Sé pedindo “Diretas Já!”.

A Rede Globo de Televisão, que detinha audiência avassaladora nos lares brasileiros, mostrou um constrangido Ernesto Paglia, ao vivo, comentando sobre o “grande show em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo”. A TV conseguiu, por algum tempo, fingir que nada “diferente” estava acontecendo no país. Um morador do Acre sorria, sentado em seu sofá, admirando os festejos pelo aniversário da capital do Estado de São Paulo. O que ou quem poderia dizer a ele que aquilo não era mesmo uma grande festança? Seria possível acontecer esta situação nos dias de hoje? Claro que não.
As telecomunicações vêm, através dos anos, caminhando em passos muito rápidos. A tecnologia das comunicações tem, invariavelmente, alcançado resultados de inovação que conseguem causar inveja a quaisquer cientistas que trabalhem a serviço das inovações ligadas à saúde, por exemplo. Há quantos anos se procura pela vacina salvadora contra a AIDS, por exemplo? E as pesquisas com células-tronco, que até hoje são alvo de discussões das mais diversas, mas, principalmente, no que diz respeito à ética médica e à moral religiosa?
Diferentemente das pesquisas na área da saúde, a tecnologia da informação corre livremente, sem maiores questões éticas envolvidas, talvez tendo somente as questões políticas e comerciais como motivo de lutas entre governos e empresas, principalmente no tocante às patentes de novos produtos de transmissão de dados e informações.
Voltando ao nosso maior interesse, que é a transmissão de informação, posso citar os novos canais de recebimento de informação através dos celulares. Hoje em dia podemos, sentados numa arquibancada de um estádio de futebol lotado, por exemplo, ver o replay de um gol ou até mesmo a repetição de um lance qualquer sem precisar sequer levantar-se do lugar. As transmissões esportivas via TV Digital são gratuitas e basta ter um aparelho de celular com um receptor que capte esse sinal para ver em detalhe a jogada. Imagine o lance sendo repetido inúmeras vezes e por ângulos dos mais diversos. Isso é fantástico para mim que, na adolescência, saía do estádio bastante intrigado com a marcação de uma penalidade contra meu time. Não tinha jeito: O juiz sempre era chamado de ladrão, mesmo que inocente. Isso não acontece mais, pois já se ouviu falar em técnico de futebol que perguntou para um repórter de TV que trabalhava na transmissão do jogo logo ali, próximo ao banco de reservas, se havia impedimento de um lance. Até os próprios jogadores envolvidos no jogo recorrem a este expediente. Aliás, o presidente da FIFA (Fédération Internationale de Football Association), tem declarado que pensa em utilizar equipamentos eletrônicos semelhantes aos usados nos jogos de tênis, para eliminar de vez com as dúvidas geradas por lances que são impossíveis de serem apurados pelo olho humano. Culpa das TVs e seus múltiplos ângulos de visão.
A empresa multimídia Esporte Interativo vem realizando, há dois anos, transmissões esportivas pela Internet (um capítulo que tratarei mais adiante). Para 2010, a Vivo adquiriu os direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo e deve detalhar nos próximos dias o formato e os preços dos conteúdos que serão oferecidos.

Chegando à Internet, esse campo quase infinito de possibilidades, podemos lembrar a revolução que ela causou, deixando outros meios de comunicação atentos aos seus movimentos, com o temor de que pudesse haver a extinção de toda forma de transmissão de informação, entretenimento e lazer que estivesse fora da rede mundial de computadores. Isto não aconteceu, como pudemos testemunhar, felizmente. Mas houve abalos, principalmente nos grandes jornais impressos, que sentiram a pressão do poder da concorrente em transmitir quase simultaneamente qualquer tipo de fato. De uma greve de bancários no Brasil à cobertura de grandes acontecimentos como shows, eventos esportivos e até guerras. Somos testemunhas da “tabloidização” de grandes jornais, ultimamente. Pressionado pela queda de vendas, o britânico Guardian, mudou seu formato “standard” para tablóide já em 2005. “O desafio é continuarmos fiéis ao nosso jornalismo e, ao mesmo tempo, encontrarmos um formato de impressão moderna para uma nova geração de leitores”, disse o editor do Guardian Alan Rusbridger à época. Na sequência vieram a adotar este formato o Independent e, finalmente, o Times. As vendas do Independent e, depois, do Times aumentaram com a redução do seu tamanho, o que trouxe, como consequência, uma perda de circulação para o Guardian.
Estas mudanças sacudiram o mundo da imprensa britânica, no qual somente o Daily Telegraph e o jornal econômico Financial Times mantiveram seu formato tradicional. Existe a possibilidade de grandes jornais passarem a oferecer seu conteúdo apenas pela Internet, fato que parecia, há muito pouco tempo, impossível de acontecer. O norte-americano The New York Times caminha para essa realidade? A saber…
No Brasil, há alguns dias, o jornal O Estado de S. Paulo vem oferecendo a leitura de sua edição diária pela rede, através de um software que permite “folhear” as páginas de seus cadernos. Outros grandes jornais, como a Folha de S. Paulo e O Globo já disponibilizam seus diários na Internet. Será que a “tabloidização” dos “jornalões” brasileiros pode vir a acontecer?

Falando ainda dobre a distribuição da informação através da Internet, devemos lembrar os blogues, que já tiveram uma explosão na rede, mas que já não atraem tanto os usuários domésticos no mundo. Bilhões de blogues foram e ainda continuam sendo criados em todo o planeta, mas a vida deles costuma ser curta. O primeiro blogue do mundo foi criado em 1997, e de lá para cá já se passaram 12 anos, e depois dele mais de 1 bilhão de blogues já surgiram no planeta, e a cada novo dia são criados cerca de 175 mil blogues, com uma média de 5,425 milhões de novos blogues por mês. O primeiro blogue do mundo foi o scripting.com. De receitas culinárias, passando por blogues de fã-clubes até os dedicados a extremismos religiosos, esta ferramenta que já foi vista com ressalvas pelos meios de comunicação, finalmente alcançou a credibilidade e tem sido utilizada –e acessada- por muitos jornalistas de diversas partes do globo.

No Brasil, muitos blogues de jornalistas renomados são acessados por milhões de internautas diariamente. Jornalistas como Fernando Rodrigues, Josias de Souza, ambos do UOL, Ricardo Noblat, do Globo.com e Mino Carta, que recentemente desativou seu blogue no iG – mas prometendo voltar depois de um “descanso” – atraem os internautas pelo seu dinamismo, reflexão e opinião, quase sempre isenta dos fatos da política brasileira e internacional. Além deles, muitos outros profissionais das mais diversas áreas possuem seus diários na rede. Alguns apresentam uma linguagem mais ácida e quase panfletária, onde o espaço reservado à interatividade com os visitantes chega a cair no bate-boca entre simpatizantes deste ou aquele partido político. O jornalista Paulo Henrique Amorim é um exemplo disso. Após seu traumático desligamento do portal iG, com acusações de censura e troca de farpas por ambos os lados, PHA decidiu abrir seu próprio portal de notícias, demonstrando uma linha editorial favorável ao governo do presidente Lula, rivalizando, principalmente, com os blogues dos jornalistas Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, ambos jornalistas da revista Veja, de linha editorial de oposição ao governo petista.
Em todos estes blogues o espaço reservado aos comentários de seus visitantes mostra bem o quão antagônicos estes jornalistas são. De maneira mais bélica, os visitantes destes blogues destilam, muitas vezes, todo um ódio para o pensamento e opinião diferente daquele que ali costuma ser publicado. Fica a dúvida, porém, se o jornalista ou sua equipe de moderadores costuma censurar comentários que vão de encontro com sua opinião. O que se vê, então, é uma enxurrada de elogios e comentários graciosos, que faz o narcisismo destes blogueiros aflorar. Reinaldo Azevedo, por exemplo, adora ser chamado de “meu Rei”. Enquanto isso, qualquer opinião contrária à sua, já recebe a pecha de ser petista. Alguns neologismos pitorescos podem sem vistos em ambos os espaços: “petralha”, “tucanalha”, “P.I.G.” (Partido da Imprensa Golpista), “Flor do Fascio”, “lulismo” “apedeuta mor”, são alguns dos termos criados para se referir a inúmeras situações, grupos e pessoas.

Independentemente das ideologias, do que é “esquerda”, do que é “direita”, fica a impressão de que estes espaços na blogosfera advogam em favor de grupos políticos e, principalmente, em favor de projetos de ascensão, permanência ou continuação deste ou aquele grupo/partido no poder. Dossiês são elaborados, processos na Justiça afloram feito “chuchu na serra”, arapongagem internacional é denunciada, ligações de grupos empresariais com partidos políticos são denunciadas, entre outras coisas que ganham força maior quando se aproxima a época de eleições. Ultimamente, principalmente com a chegada do Ministro Gilmar Mendes à presidência do STF (Superior Tribunal Federal), os ânimos têm se exaltado, com uma grande exploração por parte dos veículos de informação e opinião – principalmente nos blogues – das sentenças favoráveis ao banqueiro Daniel Dantas na “espetaculosa” operação Satiagraha, que alçou à categoria de celebridades o delegado federal Protógenes Queiroz e o juiz federal Fausto de Sanctis, responsáveis pela prisão de alguns envolvidos, como o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas.

Para finalizar esta pesquisa, ainda dentro deste espaço quase infinito que é a Internet, não poderia ser esquecido o fenômeno chamado Twitter, o microblog criado em 2006 pelo jovem arquiteto de softwares Jack Dorsey, de apenas 32 anos e que se tornou febre na web, com estimados 5 milhões de usuários em todo o mundo, em 2008. Este número cresceu, evidentemente, deixando o Twitter atrás apenas do Facebook e do MySpace.
Dentre todos esses usuários, é possível encontrar gente falando sobre a pizza que acabou de comer, gente perguntando se vai chover, gente dizendo que está triste, dentre outras coisas não tão importantes para o restante dos usuários. O Twitter se tornou, de certo modo, uma ferramenta de banalidades e teve seu fim profetizado por alguns experts, coisa que não aconteceu. Ele vem crescendo e seu valor de mercado triplicou em três anos.
O Twitter foi ganhando importância e passou a ser levado a sério a partir da adesão de grandes conglomerados empresariais e jornalísticos. Mas é preciso tomar cuidado, pois há muitos perfis falsos na rede, o que traz confusão e acesso a informações sem o menor valor. Fica a pergunta: Como os administradores desta rede social pretendem coibir tais engraçadinhos? O jornalista Juca Kfouri já avisou que o perfil criado @jucaKfouri não lhe pertence e diz que não se responsabiliza por suas postagens. O apresentador Luciano Huck, da TV Globo, possui mais de cinco perfis. Um deles é verdadeiramente seu (mas isso não nos parece irrelevante, não é mesmo?) e é um dos mais seguidos.

Notícias importantes estão sendo divulgadas em primeira mão no Twitter do autor desta notícia. E a expectativa em torno disso tem criado eco em outros meios de comunicação. Um exemplo disso foi a divulgação da contratação do técnico Muricy Ramalho pelo Palmeiras. Na verdade, o que foi noticiado pelo presidente do clube, o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, foi a não-contratação do treinador, frustrando torcedores e jornalistas que aguardavam o “furo”.
O lançamento do Citröen C3 também foi dado, em primeira mão, num perfil criado pela montadora francesa, numa grande tacada de marketing. O carro em questão tem como público-alvo os jovens que dispensam horas em frente ao computador.
Os grandes jornais têm usado também a ferramenta para divulgação em tempo real (ou até antecipando a edição do dia seguinte) de matérias diversas, principalmente as relacionadas com tecnologia – como o perfil @link_estadao, do caderno Link, do jornal O Estado de S. Paulo e o perfil @guiafolhaonline, do portal UOL do Grupo Folha.
Mas não só de elogios vive o Twitter. O dramaturgo, escritor e prêmio Nobel de Literatura José Saramago fez uma dura crítica ao Twitter dizendo: “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.”
Um perfil no Twitter que vem agregando muita simpatia, principalmente por parte da mídia, é o do governador de São Paulo, José Serra (@joseserra_) que, pressionado pelo DEM (Democratas) para oficializar logo sua candidatura à Presidência, promete fazê-lo via Twitter. “Estou cansado de NÃO responder à pergunta sobre a Presidência. Quando decidir, talvez responda primeiro no Twitter”, disse em resposta a um usuário do microblog. Num exercício de previsão do futuro, vejo os governantes publicando suas decisões, suas “canetadas” via Internet, por Twitter ou por qualquer outra ferramenta que venha a ser criada. É assustador como tudo poderá ser feito, divulgado e, principalmente, monitorado em tempo real. “Big Brother is watching you”. George Orwell, quem diria, era mesmo um visionário!

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A primeira prova

oje foi o dia da primeira avaliação da nossa turma. “O Príncipe”, de Maquiavel, foi o objeto de estudo. Obra realmente fascinante! Após a aula de Teoria e Técnicas de Comunicação, com a querida professora Márcia, saímos para um rápido café antes de sermos colocados à prova pelo professor Marco Moretti. Numa das mesas da praça de alimentação, um pequeno grupo conversava descontraidamente, sem qualquer sinal de aflição. Mas eu estava ansioso, apesar de me sentir preparado para a prova. Um dos desencanados participantes da conversa, o figuraça do Edu, chegou a dizer: “Eu sou o próprio Príncipe!”, quando o questionei se sentia-se confiante. Neste exato momento, o até hoje distante coordenador do curso, titular da disciplina a qual iríamos ser avaliados, surpreendentemente sentou-se à mesa para um café. Foi bacana, sentimos que o professor começa a criar afeição pela turma. Durante a prova, confesso que me incomodei um pouco com uma fuzarca que a molecada do Colégio Objetivo fazia na quadra poliesportiva, que fica grudada ao prédio da Faculdade. As divagações de Maquiavel sobre César Bórgia misturavam-se com vozes juvenis cantando “Mamãe Eu Quero”, clássica marchinha de Carnaval. Inacreditável…

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