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Expressões de novos tempos

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Linha 1 Azul

Entusiasmo. É nesse estado de espírito que inicio o dia após algumas horas de sono. O corpo cansado tem sido vencido pelos pensamentos positivos, pela vontade do novo.

A viagem de metrô – do Tucuruvi à estação São Joaquim – tem servido como um exercício de observação do ser humano. Fica claro, por enquanto, que encerro as jornadas bastante curioso com cada expressão facial colhida naquele espaço público.

Há alguns meses diminuí a carga de trabalho diário por conta da saída de um dos meus dois empregos. A sensação é boa: mais horas de sono e um tempo maior para investir em mim. Aperfeiçoar o segundo idioma e a aposta em nova etapa acadêmica têm me dado um enorme bem estar.

Voltar a fotografar também faz parte dessa nova jornada, apesar de não vislumbrar a Fotografia com viés comercial (não num primeiro momento). Penso em produzir algo autoral, através da observação, do estudo. E observar o mundo ao meu redor faz parte dessa busca por uma (nova?) identidade de expressão artística. As palavras, sinceramente, me fogem. Anseio pela volta da vontade de escrever. Por enquanto, deixo apenas esse pequeno relato de uma nova fase. Sigamos em frente.

 

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Marcel Duchamp é Corinthiano*

pós um frio e chuvoso feriado de 7 de Setembro, confesso ter pulado da cama somente após muita lamentação. Pé na rua, parti rumo ao ponto de ônibus, onde costumo pegar o trólebus até a faculdade.

Incrivelmente, o coletivo chegou logo, além de praticamente vazio. Tomei-o e, vencida a catraca, fui até o fundo do veículo, sentando-me na última fileira de bancos, onde deparei-me com um sujeito bem vestido numa casaca marrom e sapatos que brilhavam como diamante.

Cumprimentei-o. Tive como resposta a indiferença. Desconcertado sentei-me, olhando de soslaio em direção a ele – que parecia agitado, irrequieto. Balbuciava palavras desconexas e tinha à mão uma daquelas canetas tipo ‘pincel atômico’.

Ponto final da linha, portas abertas: ele soltou um palavrão impublicável – que fez acordar o cobrador – e saltou do ônibus, praguejando.

Antes de descer do coletivo, vi que o sujeito havia rabiscado uma frase na parede sob a janela do banco onde estava sentado:

“Marcel Duchamp é corinthiano”

Não sei dizer qual associação o tresloucado quis fazer entre o artista francês e o SCCP. Acredito, entretanto, que tal atitude deixaria envaidecido o criador dos famosos e intrigantes ready-mades¹. Ou será que não?

*Este texto inaugura a categoria “Pílulas do Cotidiano” onde, circunstancialmente, postarei pequenos textos literários sobre gente e situações do dia-a-dia.
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¹Principal estratégia artística de Duchamp, que utilizava objetos encontrados já prontos, às vezes acrescentando detalhes, outras vezes atribuindo-lhes títulos arbitrários.

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The Wake: Quero ser o New Order

Domingo passado, após assistir ao Canal Livre da Band, fui para o computador para checar a caixa de e-mail, ler as notícias da noite, enquanto ouvia um pouco de música. Sintonizei a estação Section 25 na LastFM e, após alguns minutos, começou a tocar uma música com uma sonoridade bem familiar. Pensei: “Não conheço esse som do New Order”. Fui olhar no identificador da rádio e tomei um susto: De fato, não era o New Order.

Era mais uma daquelas obscuras bandas apresentadas pela Factory Records, famosa por lançar lendárias bandas dos 80’s como o Joy Division, New Order, Happy Mondays, OMD, entre tantas outras. A Factory era proprietária, também, do lendário clube Haçienda, mas isso é outra história.

Não sou crítico musical, não sou conhecedor de tudo o que acontece ou aconteceu na “cena” (clichezão da área), então posso estar cometendo alguns erros, exageros, algumas “viagens”. Mas acho melhor assim, do que beber de fontes duvidosas do tipo Google, Wikipédia.

Mas, voltando à banda, o título do post diz tudo, amigos: Lembra demais o New Order, principalmente a predominância avassaladora do contra-baixo, ao estilo Peter Hook. Já os vocais, são um caso à parte: A sonoridade etérea (que a tchurminha chama shoegazer) lembra bastante bandas que surgiram quase 10 anos depois, como Chapterhouse, My Bloody Valentine e afins. Mas sem a distorção das guitarras destas mesmas bandas.

Outro ponto interessante – e que, talvez “absolva” os caras – é que, bebendo da fonte dos irmãos da Factory, o Wake também influenciou uma sonoridade musical de algumas bandas. E é neste ponto onde eu fico sujeito a receber pedradas dos sabichões musicais.

Ouvindo o álbum “Here Comes Everybody”, de 1985, lembrei-me de bandas tupiniquins como Gang 90, Sempre Livre, Violeta de Outono e – pasmem! – até a Legião Urbana dos primórdios. Evidentemente, os vocais destas bandas são bem distintos, mas a parte instrumental é muito parecida (exceto por algumas “excentricidades” cometidas por alguns produtores que teimavam em embutir teclados cafonérrimos e coros pegajosos).

Parece legítimo que bandas falando de coisas tão distintas, possam apresentar uma sonoridade tão próxima de quem o fez originalmente?

Penso que não. E o tempo se encarrega em colocar cada um nas distintas gavetas da relevância e do ostracismo.

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Arte Sacra em São Paulo

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Presépio Napolitano: cena da Natividade

O Museu de Arte Sacra de São Paulo, que fica dentro do Mosteiro da Luz, é uma das boas opções de cultura e lazer numa região que conta também com a Pinacoteca do Estado e com o Museu da Língua Portuguesa. Seu rico acervo contabiliza quase 4 mil obras, entre elas imagens de santos, pinturas, livros, retábulos de igrejas do período barroco e presépios de diversas partes do mundo, com especial destaque para um presépio napolitano com 1620 peças do século XVIII, trazido ao Brasil pelo empresário Ciccillo Matarazzo no fim dos anos 40 do século XX.
O Museu de Arte Sacra conta com eficiente monitoria, uma pequena lojinha onde são vendidos objetos religiosos, um anexo exclusivo para a exposição permanente de presépios, além de uma capela onde são celebradas missas todos os dias. Esta capela, aliás, foi construída com a ajuda de Frei Galvão, que foi declarado santo pelo papa Bento XVI em 2006.
No Museu são oferecidas as “pílulas milagrosas de Frei Galvão”, confeccionadas a partir de papel higienizado, enroladas em papéis azuis e rosas, distribuídas gratuitamente para os fiéis. Estas pílulas têm o poder de cura para males físicos e espirituais, acreditam. Nas pílulas está escrito: “Após o parto, ó Virgem Mãe de Deus, permaneceste inviolada. Intercede por nós”.
Independente da questão religiosa, o conjunto arquitetônico do Mosteiro da Luz, construído em taipa de pilão, impressiona por sua beleza e suas salas e corredores impressionam pelo silêncio, o que dá ao lugar a medida certa para a concentração e apreciação de seu acervo.

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Dalton Trevisan versus Woofer

Dalton Trevisan em caricatura de Fernando Romeiro

Dalton Trevisan em caricatura de Fernando Romeiro

Quando eu li sobre essa brincadeira que inventaram para satirizar o Twitter, pensei logo em escrever um texto que atingisse os tais 1400 caracteres exigidos para poder publicá-lo no tal de Woofer. De cara lembrei do paranaense Dalton Trevisan, que deve suar frio só de imaginar ter seu nome e obra atrelados a uma ferramenta cibernética tão identificada com estrelismos. Ele é, definitivamente, avesso a esse padrão de exibicionismo. Discrição é sua palavra-chave. Para os “mudérnos”, ele faz o estilo low profile.

A professora Tânia Sandroni utilizou um trecho de um conto de Trevisan num exercício de concisão. Não me lembro qual, infelizmente. O que me fez tomar interesse pelo autor é que, no trecho citado – e que era longo! – não havia verbos. Achei fantástico! Logo após, exercitamos o tema, criando uma pequena história onde não deveria haver verbos – tudo bem, depois ela liberou o verbo apenas no particípio. A história deveria ser contada em, no mínimo, 15 linhas de uma folha de caderno universitário e deveria abordar o dia (da hora que acorda até quando volta à cama para dormir) de algum personagem.
Eu contei a história de um sujeito que vendia queijos numa barraca no vale do Anhangabaú e que teve suas mercadorias apreendidas pela GCM e a Vigilância Sanitária do município.

Mas, voltando ao assunto principal, escolhi falar alguma coisa sobre Dalton Trevisan justamente para prestar-lhe uma anti-homenagem, já que acho que ele deve torcer o nariz para todas essas baboseiras criadas quase que diuturnamente na Internet. Vamos ao texto:

***

Desafio fantástico! Exercício de verborragia, não há a menor dúvida. O que um sujeito como Dalton Trevisan, um dos mais concisos contistas brasileiros, diria aqui? Qual seria sua reação ao ser obrigado a deitar tantas palavras para poder ter o direito de divulgar suas ideias, suas enigmáticas ideias?

Bem, deveríamos antes de tudo convencer o citado autor a sair de sua vampiresca mania de anonimato. Sim, porque o curitibano é reconhecidamente tímido. Reconhecidamente avesso à autopromoção.

Não se pode julgá-lo, nem tampouco condená-lo por sua preferência ao estilo discreto de ser, apesar de parecer estranho num mundo onde o culto à celebridade se torna cada vez mais febrilmente insano. Veja você que Trevisan, bem ao seu estilo e sobretudo por sentir-se isolado dos meios intelectuais, concorreu e conquistou o primeiro lugar do I Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná, em 1968. Você conseguiria imaginar uma celebridade qualquer, com um mínimo de competência em qualquer atividade, ser premiada em um concurso e mandar alguém buscar o prêmio para “preservar” sua imagem? Ele quase o fez. Isto é inimaginável nos dias de hoje…

A verdade é que Dalton Trevisan foi inspirado pelos habitantes de Curitiba, mas criou personagens universais em tramas psicológicas dentro de uma linguagem concisa e popular, que valorizava as vicissitudes e os incidentes do cotidiano sofrido e angustiante desses melancólicos personagens.

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Museu Guggenheim de Nova Iorque celebra 50 anos de fundação

Museu Guggenheim de Nova Iorque

Museu Guggenheim de Nova Iorque

A cidade de Nova Iorque celebra, este ano, os 50 anos da fundação do Guggenheim Museum. Fundado em 21 de Outubro de 1959, o exuberante museu desenhado pelo arquiteto americano Frank Lloyd Wright, que recebe permanentemente exposições de arte impressionista, pós impressionista, moderna e contemporânea, foi submetido a três longos anos de reformas, a fim de estar em perfeito estado para os festejos. Como parte das comemorações, a Solomon R. Guggenheim Foundation organizou uma exposição com mais de 100 trabalhos do pintor abstrato russo Vasily Kandinsky, que fica em cartaz até 13 de Janeiro. Haverá, também, um encontro intitulado “Arquitetura como Potencial” entre o diretor da Fundação Guggenheim, Richard Armstrong e o arquiteto Frank Gehry, responsável pelo projeto e construção da filial Guggenheim da cidade de Bilbao, Espanha. O encontro tratará sobre a história da arquitetura como um gerador de mudança comportamental da sociedade e sobre a influência dos fatores político-econômicos na arquitetura atual, principalmente após o estouro da crise econômica mundial. Mais informações no site da Fundação .

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Comentário a respeito de Belchior

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Com toda essa recente e maciça exposição na mídia sobre o “sumiço” de Belchior, lembrei-me de certo dia em minha infância, quando brincava no tapete da sala enquanto meus pais assistiam TV. Veja, isso se passou na longíqua década de 1980, tempo onde zapear pelos canais não era coisa simples e automática como o é hoje. Tínhamos um aparelho Telefunken e meus pais costumavam assistir àqueles programas de auditório tão comuns na década oitentista. Talvez, nesta ocasião, assistiam ao programa do Edson Bolinha Cury. Num certo momento, o apresentador chamou ao palco Belchior para cantar “Medo de Avião”. Achei o nome diferente e levantei minha cabeça para mirar a televisão, a fim de saber quem era o tal. Fiquei surpreso ao avistar aquele sujeito com um cabelo vasto e consistente e com aquele bigodão que lembrava o de Groucho Marx, mas acabei arrancando um sorriso do meu pai quando perguntei:
Pai, o Zenon também é cantor?
Talvez essa historieta arrancasse um sorriso do rapaz latino-americano. Talvez ele não seja Corinthiano… Mas Belchior reapareceu, cheio de projetos, álbum novo a ser lançado, novas histórias para cantar. Jogada de marketing? Pura desencanação? Fuga dos credores? Cada um que tire sua conclusão. De minha parte, fica a espera de sua volta para, quem sabe, ouví-lo cantar ao vivo “Coração Selvagem”, uma de minhas prediletas. Mas essa história do sumiço e reaparecimento do cantor baiano tem mais a ver com outro sucesso de sua autoria, a canção “A Palo Seco” que, como numa pista de suspense policial, diz:

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76

Eu ando um pouco descontente
Desesperadamente eu falo português (2x)

Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Mas por força do meu destino
Um tango argentino
Me cai bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76

Eu quero é que esse canto torto feito faca
Corte a carne de vocês (2x)

Belchior inspirou Belchior?
Ninguém, além dele, sabe.

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