Operação Delegada erra o foco ao desprezar o “social”

*Atualizado em 29/5/2011 às 17h25

Devemos louvar o trabalho conjunto entre a Prefeitura, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana na fiscalização de comércio ambulante nas ruas do centro de São Paulo. Devemos? Incomoda-me pensar que este tipo de blitze atinja, na sua maioria, a base da pirâmide deste tipo de contravenção.

Os vendedores de comida de rua, por exemplo, são pessoas humildes com poucos anos de estudo, que não têm nem tiveram a oportunidade de galgar degraus numa sociedade cada vez mais competitiva e, conseqüentemente, mais cruel com os “perdedores”, com os “moradores do andar de baixo” – a base da pirâmide, como mencionei acima.

A chamada Operação Delegada varreu do Centro os carrinhos de cachorro quente, os pamonheiros e outros ambulantes, com a justificativa de cuidar da saúde pública, além de diminuir as ocorrências de crimes na região. Números são ventilados em diversos órgãos oficiais e na imprensa, demonstrando a queda no número de roubos e furtos.

O Centro Velho parece estar, realmente, mais seguro. Basta andar pelo Vale do Anhangabaú para ver que o policiamento está presente. Mas está presente, também, uma legião de miseráveis que perambulam por ali, ignorados pelo poder público e pelas pessoas “de bem” que circulam pela região.

Enquanto esse cenário persistir, não podemos aprovar completamente esta operação. O Poder Público deve ir além de ações policialescas, propondo soluções para uma reorganização social, oferecendo uma oportunidade destes trabalhadores serem inseridos no mercado formal de trabalho. Cursos de reciclagem profissional, alfabetização e outras pequenas ações sociais ajudariam bastante.

Não podemos esquecer outra questão fundamental para os que passam apressados pelas ruas do Centro: Sem os dogueiros e afins, como fica a alimentação popular? As autoridades não parecem estar preocupadas com esta questão.

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Artigo produzido a pedido da Professora Denise Casatti

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2 Comentários

Arquivado em circunstanciALL

2 Respostas para “Operação Delegada erra o foco ao desprezar o “social”

  1. Putz, nem me fala, como é ruim ir ao Paca e não poder beliscar um sanduíche de pernil.

    O que as “otoridades” não entendem é que o comércio popular tem valor histórico/popular fundamental para a cultura do povo e do local.

    Aqui em São Carlos, tempos atrás, tiveram uma medida deveras mais interessante: o tal do “camelódromo”. Instalações fixas para os comerciantes que antes estavam ali informalmente, e que a partir daquele momento passariam a ter a concessão para utilização de um espaço no mesmo lugar, mas com estrutura muito melhor, e de forma legal.

    Qualquer solução que não passe por isso me parece uma dupla punição ao povo. Retiram de trabalhadores o seu ganha-pão, e da população o seu comércio predileto.

    Mas eu não espero nada diferente de medidas burocratas e aristocratas dessa gente de PSDB/DEM/PSD/etc.

    • Alan Davis

      Tens toda razão, Ândi. Só me preocupo com os “camelódromos”. As tentativas de implantá-los aqui em São Paulo sempre partiu da vontade de isolá-los, tirando de seus pontos de origem. Outra coisa triste, são as barracas de alimentação nos Terminais de Ônibus, por exemplo. São pequenas “redes”, onde os proprietários exploram uma mão de obra barata e sem oportunidades. Viva a plutocracia… E como diz o @craudio99: “Sorria, São Paulo”.
      Abraço

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