Desencontros

maram-se com toda a força do mundo. Eram jovens, cheios de vida, cheios de planos – e todos os clichês que costumam deitar sobre a juventude.
Juraram ser para sempre. Mas não aconteceu – como quase sempre costuma ser. Pudera, tinham apenas 16 anos e uma revolução interna em cada um. As coisas mudariam, a forma de pensar mudaria, os sonhos mudariam. O tempo passou e os caminhos dividiram-se numa dessas bifurcações que a vida costuma nos apresentar.

Ele viajava de pé no Metrô quase vazio do horário pós almoço. Ela, sentada num banco próximo a ele, lia uma revista. Estava diferente. Sua pele ainda brilhava, seus olhos ainda brilhavam. Mas uma expressão mais serena, adquirida com a maturidade, iluminava seu rosto.

Ao aviso de chegada à estação São Joaquim, ela levantou-se e deixou o trem, sem perceber a presença de seu observador. Este, sentou-se no banco antes ocupado por ela. Teria sido a última vez que sentiu o calor daquela mulher que ficara para trás. Teria sido a última vez que seus caminhos se cruzaram.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Desencontros

  1. Kelly

    Triste, porém um conto com o qual ao menos 1 de seus leitores há de se identificar. Continue postando. Venho sempre aqui conferir seus escritos (humanamente escritos).

    Alan: Sua apreciação é muito importante para mim, querida amiga.

  2. bem metrópole esse texto ne!… gostei

    Alan: Nada mais metropolitano do que o Metrô, certo?

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