Ocaso de um arrivista

Serra: Acabou. Foto/Agência Brasil

Ao final de um dos pleitos mais desestimulantes que testemunhei, a petista Dilma Rousseff venceu o tucano José Serra com uma margem de 12% de vantagem, como previam os quatro principais institutos de pesquisa brasileiros. As abstenções, previsíveis, mostraram mais de 20 milhões de descontentes brasileiros, que “deram de ombros”, preferindo pegar a estrada num feriado ensolarado.

A vitória da candidata petista teve, logicamente, grande ajuda da popularidade do presidente Lula – que chega ao final de seu mandato batendo recordes de aprovação. Como Dilma conduzirá o país ainda é uma incógnita. Com maioria na Câmara e no Senado, poderá propor mudanças estruturais, como as reformas da previdência, as reformas política e tributária – mas estas são questões para serem discutidas mais adiante. Simpáticos ou não à sua trajetória, só podemos torcer para que conduza o país com seriedade. E para TODOS, claro.

A questão central deste post, entretanto, é outra: Escrevo para comentar sobre o melancólico fim político do candidato José Chirico Serra. Este senhor que, lamentavelmente, ajudou a “desconstruir” seu partido levando-o a andar – já há algum tempo – de braços dados com a extrema direita brasileira. Este senhor que fez ressurgir gente como a TFP, a TERNUMA , agentes fundamentais para a sustentação do regime ditatorial que dominou o Brasil entre 1964 e 1985.

Este senhor – que tanto bradou pela liberdade de expressão, pela liberdade de imprensa – tem o costume de “pedir a cabeça” de jornalistas que o questionam com maior veemência. Heródoto Barbeiro e Márcia Peltier são apenas alguns nesta triste lista.

Este senhor que abandonou a prefeitura e, posteriormente, o governo do Estado de São Paulo, em busca de sua grande ambição: chegar à presidência do Brasil. Aliás, dentro do ninho tucano, é sabido que tratorou Aécio Neves e Tasso Jereissati para ter seu nome à frente da oposição em 2002. Em 2006, não esperava pela “peitada” de Alckmin. E o abandonou na campanha… Em 2010, atropelou Aécio novamente – e o resultado da eleição poderia ser diferente com o mineiro como cabeça da coligação. Agora, Inês é morta…

Ao final de seu patético discurso, concluí: Sua iminente morte política abrirá caminho para que o PSDB retome seu caminho de dignidade. Sem Índios. Longe do DEM. Pela memória de Covas e Montoro. O Brasil pode mais sem você, Serra.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Ocaso de um arrivista

  1. Temos que pensar no “conforto” do cenário político atual. A própria Marina se tornou um fenomeno, pois ela não tinha nenhuma imagem política para com o todo da população. O conformismo entre PSDB e PT fez com imagens políticas não fossem construidas como devido, isso em qualquer estância do governo, seja ela presidente, governador ou prefeito. É necessário mais do que reformular a estrutura da política e a do país. Faz-se necessário que os políticos percebam que se as pessoas votam, elas pensam. Não podemos subjulgar a opinião do individuo dentro da massa. É necessário mudar o jeito de fazer política!

    Alan: A escolha da Marina pela neutralidade no 2º turno foi positiva, Leco. Ela mostra que quer marcar presença, ser uma alternativa.

  2. O que me interessa agora é saber exatamente o futuro da oposição. Quem será o líder do antagonismo político? Serra acabou? Aécio vem aí? Alckmin corre por fora?

    Alan: No PSDB, Aécio e Alckmin duelarão pela indicação para encabeçar a chapa tucana. Ou até podem lançar a tal candidatura “puro-sangue”. Seria bom se eles se afastassem do DEM.

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