100 anos em cinco minutos

Corinthians completou 100 anos de uma vida de glórias, conquistas mas, principalmente, de muita paixão e devoção de sua Fiel Torcida. Sim, eu também faço parte deste bando de loucos – ou, se preferirem, faço parte da República Popular do Corinthians, com certidão de nascimento e RG personalizados.

Esse tipo de estratégia de marketing é interessante no que diz respeito ao aumento de arrecadação de receitas, fundamental para a manutenção de um time competitivo, além de outras despesas com os esportes amadores e a parte social. Mas, ajuda a arrebanhar novos torcedores? Tenho minhas dúvidas.

Mas, falando em paixão, é inevitável buscar na memória os feitos, as conquistas e até as mais dolorosas derrotas para tentar entender esse sentimento único, que é o Corinthianismo. Desde os tempos dos jogos no campo do Lenheiro, no Bom Retiro, até os dias de hoje, é notável a trajetória desse time que ousou ingressar na liga de futebol formada pela elite paulistana – elite que disse que “O Clube não sobreviveria ao próximo inverno”.

Minha História

Em 1977, aos quatro anos de idade, tive a noção do que é o Corinthianismo.
Minha irmã Bel, na época com 13 anos, apareceu com um curativo enorme na cabeça, causado por uma queda do capô do Opala de um vizinho que, infelizmente, não me recordo o nome. Ela, como muitos outros alucinados Corinthianos, saiu em carreata pela cidade para comemorar o fim do jejum de 23 anos de títulos, graças ao pé de anjo, Basílio.

Eu não acompanhva muito o futebol e lembro que – vejam só! – eu tentei ser palmeirense (motivado pelo meu irmão Adriano, seis anos mais velho). Meu pai, Corinthiano, ficava muito pouco tempo em casa, por conta de viagens que fazia a serviço de uma grande construtora. Com isso, meu irmão tentava fazer com que eu virasse casaca. Lembro-me dele dizendo que a ‘Academia’ havia atropelado o Timão em ’74, calando o estádio naquela final do Paulista que culminou na saída do Rivellino. Eu tentei ser palmeirense por um único dia, mas recuei e disse ao meu irmão: “Não consigo. Eu gosto é do Corinthians, apesar da falta de títulos”.

Nos anos de 1982, 1983, lembro que jogávamos bola na quadra da escola, onde a maioria dos moleques torcia para o Timão. E cantávamos: “Domingo, eu vou lá no Morumbiiii, a Fiel vai explodiiiir…”. A Democracia Corinthiana dava as cartas no Parque São Jorge, mas a gente não tinha noção do que aquilo representava.

Quando fui ao estádio pela primeira vez, o Biro Biro já jogava pelo Corinthians. Foi quando eu percebi o que era a raça corinthiana, apesar de, hoje, saber que Zé Maria, Ruço, entre outros ídolos, já haviam dado o sangue em campo pelo time do Povo. O Corinthians se mostra grande justamente por essa particular característica: Faz sofrer o teu Povo Fiel, mas recompensa no campo de batalha, com vitórias épicas e consagradoras. O que o torcedor rival precisa entender é justamente isto: Para nós, Corinthianos, vitória por 1X0 é goleada.

Peguei-me pensando, nesta data especial, em dois momentos antagônicos na minha trajetória de torcedor Corinthiano. Uma derrota que marcou (foi a última vez que chorei por causa de uma derrota) foi no Campeonato Paulista de 1984. Serginho Chulapa fez 1X0, tirando a tricampeonato de nossas mãos. Eu não chorei nas derrotas para nosso arquirrival Palmeiras nos jogos da Libertadores. O choque foi grande, mas o silêncio sepulcral que tomou conta do bar onde acompanhávamos as partidas tornou desnecessário a lágrima. Sobre, especificamente, esta partida, chego à conclusão de que NÓS santificamos o goleiro Marcos. Esta é a verdade, amigos. Tivesse pego um pênalti contra outro adversário e a história seria outra, certamente. Mas defender um pênalti que eliminaria o Corinthians da competição continental, alçou o goleiro Marcos ao Olimpo dos jardins suspensos da Água Branca. Isto é fato.

A vitória que ficará marcada para sempre em minha memória foi contra o Santos, também. Além deste clássico ter ficado marcado por inúmeras situações eletrizantes, foi o último no qual assisti junto de minha mãe. Ela não era nenhuma fanática, mas vibrou ao ver eu e meu pai abraçados, chorando de alegria, comemorando o gol marcado no último minuto pelo Ricardinho. Este jogo teve dois pênaltis desperdiçados pelos dois times. Pelo Santos, Rincón era o batedor oficial, mas deixou Dodô – que buscava a artilharia do campeonato – bater e mandar na trave. Pelo Corinthians, Marcelinho também mandou a bola na trave, em pênalti sofrido por Ewerthon. Ainda assim, mandamos 2X1 no time da baixada santista e chegamos à final do Paulista, enfretando o Botafogo de Ribeirão Preto. Na fila desde 1984, foi a vez do Santos chorar.

Se eu fosse fazer um levantamento das sensações experimentadas enquanto torcedor Corinthiano, certamente eu poderia desenvolver um verdadeiro compêndio. Nestes 100 anos completados hoje, tenho a plena certeza de que o Corinthians honrou sua história, sua gente. Os sapateiros, operários, os estivadores, os carroceiros, os descamisados que expulsaram os cheirosos do Parque da Luz, descansam sabedouros de que valeu a pena.

Aos pintores de casa Joaquim Ambrósio, Antônio Pereira e César Nunes, eu digo: Valeu a pena!

Ao sapateiro Rafael Perrone, eu digo: Valeu a pena!

Ao motorista Anselmo Correia, eu digo: Valeu a pena!

Ao fundidor Alexandre Magnani, eu digo: Valeu a pena!

Ao macarroneiro Salvador Lopomo, eu digo: Valeu a pena!

Ao trabalhador braçal João da Silva, eu digo: Valeu a pena!

Ao alfaiate Antônio Nunes, eu digo: Valeu a pena!

Histórias não faltam, entre lembranças e depoimentos de amigos que vivenciaram as alegrias e angústias de Ser Corinthiano. E assim será, para todo o sempre.

Até o FIM.

VIVA O CORINTHIANS!

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