O Sol sempre se põe na terceira rua

always

(Always – Sanchome no yuhi, Japão, 2005)
Centro Cultural São Paulo – Sala Lima Barreto, 12/04/2009

13 anos após o fim da 2ª Guerra Mundial, um grupo de moradores de uma pequena vila no centro de Tóquio leva suas vidas de maneira simples, tendo a construção da Tokyo Tower e a modernização da capital do Japão como pano de fundo para pequenos dramas pessoais que formam o enredo desse belo filme. A chegada de itens de consumo como a Coca Cola, a Televisão e outros eletrodomésticos são abordados de forma poética, como na cena em que todos os vizinhos da rua se reúnem na oficina do Sr. Suzuki para assistir, pela primeira vez, a uma transmissão de um torneio de luta-livre.
O filme começa com a chegada da jovem Mutsuko à cidade, atraída por um anúncio de emprego feito pela “Empresa de Automóveis Sukuki”. Mas a jovem tem suas expectativas frustradas ao perceber que a tal empresa era, na verdade, a oficina de carros do Sr. Norifumi Suzuki, um engenheiro aposentado vindo da cidade de Nagazaki. Em frente à oficina, há uma pequena papelaria de propriedade do escritor e professor de Literatura Chagasawa Ryunosuke, que passa os dias escrevendo revistas em quadrinhos e participando, sem sucesso, de diversos concursos de literatura. Todas as noites, os homens da pequena vila reúnem-se na bodega da bela Hiromi Ishizaki, uma ex-gueixa que atende a todos com atenção, alegria e um toque de flerte, por quem o escritor Ryunosuke é apaixonado. Hiromi é uma mulher que carrega certa melancolia por ter um pai há muito tempo hospitalizado, com poucas chances de um dia ter a saúde restabelecida.
Ao final de um uma noite de música, saquê e muita diversão, Hiromi é surpreendida por uma criança à sua porta, aparentemente órfã. É o pequeno Junosuke , um menino de 7 anos, tímido e franzino. Hiromi não tem condições de cuidar de Jun, então pede que Chagasawa o leve para viver em sua pequena e desorganizada papelaria. O escritor reluta, mas aceita a missão por amor a Hiromi. Aos poucos, uma relação de carinho e aprendizado mútuos faz com que o escritor crie um amor paternal pelo pequeno Jun. Um dos pontos altos da trama acontece quando, a pedido de Chegasawa, o Dr. Takuma – um médico que é chamado por “Dr. Diabo” pelas crianças da vila – veste-se de Papai Noel para entregar um presente ao menino. Após cumprir sua missão, o médico vai até o bar de Hiromi e desanda a beber. Embriagado, volta para sua casa e é recebido por sua esposa e sua pequena filha. Infelizmente, tudo não passou de um sonho, interrompido por um policial que encontra Dr. Takuma caído na rua. Na verdade, o médico havia perdido esposa e filha em sua cidade natal, Hiroshima, devastada pela bomba atômica.
O filme termina com a volta de Mutsuko à sua terra, e com a Torre de Tóquio já totalmente erguida, anunciando novos tempos num Japão que respirava ares de prosperidade.
Saí da Sala Lima Barreto, do Centro Cultural São Paulo, satisfeito com a bela reunião destas pequenas histórias, destes pequenos universos, das vicissitudes de personagens que, certamente, podemos encontrar em nossa cidade, em nossa rua.

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